Hussain al-Shahristani, um cientista nuclear que foi sondado para o posto de premier interino do Iraque, disse nesta quarta-feira que preferia servir seu país de modo humanitário, mas deu a entender que aceitaria o cargo se fosse pressionado a isso.
Shahristani, que foi preso e torturado na prisão de Abu Ghraib, em Bagdá, durante o regime de Saddam Hussein, por se recusar a trabalhar no programa nuclear do Iraque, disse que o processo de escolha do premier ainda não acabara e que outros candidatos estavam sendo considerados.
"As consultas ainda não foram concluídas, e o senhor Brahimi não fez sua recomendação", disse Shahristani em um e-mail enviado para a Reuters, referindo-se a Lakhdar Brahimi, o enviado da ONU que está ajudando a formar o governo interino.
"Eu, pessoalmente, prefiro servir o povo do Iraque em campos humanitários, como venho fazendo desde que escapei de Abu Ghraib em 1991", disse. "No entanto, colocar o país no caminho da democracia e proteger a população de terroristas e da violência é responsabilidade dos iraquianos, e temos que assumir essa responsabilidade".
Autoridades norte-americanas deram pistas nesta terça-feira de que Shahristani, que foi exilado na Grã-Bretanha e no Canadá depois de fugir do Iraque, era o principal candidato para o posto de primeiro-ministro no governo iraquiano que deve assumir em 30 de junho.