Em um ambiente de intensa dor nacional, foram iniciados na manhã desta quinta-feira os funerais pelos quase mil peregrinos mortos em uma fuga precipitada ocorrida em uma ponte de Bagdá nesta quarta-feira.Os últimos números divulgados pelo Ministério do Interior dão conta de 965 mortos e mais de 320 o de feridos, alguns deles ainda em estado de extrema gravidade.
No entanto, um porta-voz oficial do mesmo Ministério já eleva o número de mortos para 1.033.
- As vítimas estão espalhadas por seis hospitais, que estão abarrotados, e é muito difícil fixar uma cifra. Além disso alguns dos feridos estão em estado muito grave - explicou o porta-voz.
Na manhã desta quinta-feira, muitos corpos foram retirados dos hospitais iraquianos e levados por seus familiares aos cemitérios. Famílias inteiras percorrem desde ontem os hospitais em busca de seus parentes.
Muitos corpos estão espalhados no chão, cobertos apenas com lençóis brancos, que são levantados por pessoas em busca de seus parentes desaparecidos.
Segundo fontes médicas, a maior parte das vítimas é de crianças, mulheres e idosos que atravessavam a ponte num ambiente festivo quando o boato provocou a tragédia.
- Muitos morreram asfixiados pelos empurrões e pelos pisões dos que tentavam fugir", disse um oficial da Polícia do bairro de Kadhimiya.
Pouco depois da tragédia, o ministro iraquiano do Interior, o xiita Bayan al Jabr, responsabilizou os rebeldes pela fuga precipitada, a quem acusou de espalhar o rumor.
Em entrevista coletiva com seu colega de Defesa, o sunita Saadun al Dulaimi, Al Jabr ressaltou que as forças de segurança iraquianas impediram "inúmeras" tentativas de atentado contra os peregrinos antes da tragédia na ponte.
Al Dulaimi, no entanto, contradisse sua versão e destacou que o acidente não está relacionado com o conflito que assola o país desde que, em março de 2003, começou a invasão e posterior ocupação sdo país por tropas estrangeiras.
A tragédia da ponte de Kadhimiya relegou a segundo plano o conflito político que sunitas e xiitas mantêm pela minuta da nova Constituição.
Os sunitas, que são contrários a que os xiitas - seus tradicionais rivais - tenham um Estado federal no sul, anunciaram uma mobilização contra o referido texto, que deverá ser submetido a plebiscito em 15 de outubro.