Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Iraque inicia segundo dia sob toque de recolher

Bagdá e três províncias vizinhas no Iraque entraram neste sábado no segundo dia seguido sob um estrito toque de recolher para evitar os episódios de violência verificados nos últimos dias, após um ataque que destruiu parte de um santuário xiita, na quarta-feira. Ao menos 130 pessoas - em sua maioria sunitas - morreram em confrontos desde a explosão no santuário de Al-Askari, em Samarra. (Leia Mais)

Sábado, 25 de Fevereiro de 2006 às 04:18, por: CdB

Bagdá e três províncias vizinhas no Iraque entraram neste sábado no segundo dia seguido sob um estrito toque de recolher para evitar os episódios de violência verificados nos últimos dias, após um ataque que destruiu parte de um santuário xiita, na quarta-feira.

Ao menos 130 pessoas - em sua maioria sunitas - morreram em confrontos desde a explosão no santuário de Al-Askari, em Samarra. Líderes religiosos sunitas dizem que mais de 180 mesquitas sunitas em todo o país foram alvos de ataques em represália ao atentado em Samarra.

Lojas e escritórios estão fechados neste sábado e nenhum jornal foi publicado. As ruas de Bagdá estão praticamente desertas. Apesar disso, tiros foram disparados para o ar durante o funeral de uma jornalista da rede de TV Al-Arabiya, morta com dois assistentes na quinta-feira em Samarra.

Durante a madrugada, apesar do toque de recolher, homens armados atacaram mais duas mesquitas sunitas em Bagdá, mas foram contidos por policiais e moradores locais.

O primeiro-ministro do Iraque, Ibrahim al Jaafari, disse que medidas especiais de segurança estão sendo tomadas para proteger locais de orações em todo o país.

Para Jaafari, os responsáveis pela recente onda de violência pretendem usar as tensões sectárias para provocar uma guerra civil no Iraque.

Ruas desertas

Adotado inicialmente entre a noite de quinta-feira e a tarde de sexta-feira, o toque de recolher foi novamente imposto entre a noite de sexta-feira e a tarde de sábado em Bagdá e nas províncias de Diyala, Babil e Salahuddine.

Na sexta-feira, as ruas de Bagdá ficaram quase desertas, e as pessoas só circulavam a pé para rezar nas mesquitas.

Centenas de policiais estão trabalhando em pontos de controle e impedindo a entrada de motoristas que tentam cruzar a cidade. Todas as folgas de policiais e soldados do Exército foram canceladas.

Por conta do toque de recolher, a violência foi menor na sexta-feira do que nos dias anteriores.

Líderes xiitas e sunitas no Iraque e no exterior usaram as orações de sexta-feira para pedir calma em meio às tensões criadas pelo ataque que praticamente destruiu o santuário de al-Askari, considerado um dos locais mais sagrados para os muçulmanos xiitas.

Os clérigos fizeram apelos por unidade e moderação, apesar da presença reduzida dos fiéis nas mesquitas de Bagdá e das três províncias em que foi imposto o toque de recolher.

Calma

Um porta-voz do presidente iraquiano, Jalal Talabani, disse que o governo estava unido em pedir aos cidadãos que mantenham a calma.

- Tudo cairá por terra se tivermos uma guerra civil, então não acredito que isso possa acontecer - disse o porta-voz, Hiwa Osman.

Um importante imã sunita, Hasan al-Taha, criticou o ataque ao santuário xiita em seu sermão na mesquita de Abu Hanifa, em Bagdá.

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