Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Iraque: Impasse eleva risco de violência

O parlamento do Iraque, reunido neste domingo, debate uma proposta de Constituição que a minoria sunita rejeitou de imediato, apesar da intensa mediação dos Estados Unidos nas discussões entre os principais grupos étnicos e religiosos, o que aumenta ainda mais a instabilidade e os níveis de violência naquele país. (Leia Mais)

Domingo, 28 de Agosto de 2005 às 07:18, por: CdB

O parlamento do Iraque, reunido neste domingo, debate uma proposta de Constituição que a minoria sunita rejeitou de imediato, apesar da intensa mediação dos Estados Unidos nas discussões entre os principais grupos étnicos e religiosos, o que aumenta ainda mais a instabilidade e os níveis de violência naquele país. A rejeição sunita - e sua previsão de que a constituição será descartada em um referendo - foi confirmada apesar das pequenas concessões feitas pelos xiitas e pelos curdos, que dominam o parlamento.

Um representante árabe sunita que faz parte do comitê que preparou a proposta disse que todos os seus colegas do painel rejeitaram a Constituição apresentada ao parlamento, e que farão campanha contra a carta no referendo, marcado para 14 de outubro.

- Não concordamos com esta Constituição. Temos objeções que são as mesmas que tínhamos desde o primeiro dia. Se os resultados não forem forjados, acredito que o povo dirá 'não' à Constituição 'norte-americana - disse Hussein al-Falluji.

Apesar das objeções dos sunitas -- que formam o centro da rebelião no Iraque -- o gabinete do presidente Jalal Talabani disse que seria realizada uma comemoração às 9h (horário de Brasília) "pela ocasião da finalização da proposta de constituição". O texto lido no parlamento sugere concessões limitadas aos sunitas -- que perderam o domínio político com a queda do presidente Saddam Hussein -- principalmente em relação aos membros do partido.

O texto proíbe "o Baath de Saddam e seus símbolos", omitindo a frase "Partido Baath", que fora incluída em uma proposta anterior.

Os sunistas pressionaram pela remoção de qualquer cláusula que proibisse membros do partido de participarem da vida pública, argumentando que nem todos têm sangue nas mãos.

O texto mantém as expressões que dizem que o Iraque é "parte do mundo islâmico e seu povo árabe é parte da nação árabe". Sunitas, e alguns xiitas, que também são árabes, queriam que o texto dissesse que o Iraque, como um todo, é parte do mundo árabe. Os curdos no norte são muçulmanos, mas não são árabes.

O preâmbulo deixa claro que o Iraque é uma república federativa. A maior objeção dos sunitas é o federalismo, que temem levar ao rompimento do país e deixá-los com um Estado fora das zonas ricas em petróleo no norte e no sul.

Pressão dos EUA

O enviado dos EUA Zalmay Khalilzad, participou das reuniões de sábado na Zona Verde. Ele já vinha pressionando para que os iraquianos cumprissem o calendário defendido pelos norte-americanos para a Constituição. Agora, os sunitas, que em grande parte boicotaram a eleição de janeiro, estão se mobilizando para o referendo e para a eleição marcada para dezembro.

Uma autoridade da Comissão Eleitoral Independente do Iraque disse que a data para o referendo ainda não foi marcada, e que provavelmente será realizado próximo do prazo final de 15 de outubro. Apesar de serem minoria, os sunitas representam maioria em três das 18 províncias do Iraque. Se conseguirem dois terços dos votos, eles poderão bloquear a Constituição, segundo as regras da Constituição interina.

A televisão e a rádio estatal transmitiram debates sobre o texto e o governo vem fazendo campanhas de propaganda para promover a Constituição, tentando assim elevar a consciência do público diante dos ataques guerrilheiros diários e da carência de serviços. A estratégia do governo iraquiano e dos EUA de estabilizar o Iraque pretende atrair os sunitas para a política pacífica e enfraquecer a insurgência, além de melhorar as forças de segurança do país.

Mas os duros debates sobre a Constituição aprofundaram as divisões no Iraque, onde a violência elevou os temores de uma guerra civil entre seitas.

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