Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Iraque está mais próximo da guerra civil, diz rei da Jordânia

Segunda, 17 de Maio de 2004 às 06:47, por: CdB

O Iraque está mais próximo da guerra civil hoje do que há um ano, disse no domingo o rei Abdullah, da Jordânia.

"É mais provável hoje do que há um ano", disse Abdullah ao programa "This Week with George Stephanopoulos", da rede de televisão norte-americana ABC.

Abdullah, no entanto, não aprofundou sua avaliação. Os Estados Unidos invadiram o Iraque em março de 2003 e no dia 1o. de maio o presidente George W. Bush declarou o fim das grandes operações de combate no país árabe. Uma insurgência cada vez mais intensa, alimentada por erros estratégicos na ocupação, matou centenas de pessoas nas últimas semanas.

Um governo interino no Iraque deveria ser empossado logo para dar ao povo a sensação de que há um futuro e para prevenir contra o caos que desestabilizaria todo o Oriente Médio, disse o rei jordaniano.

"Se virmos a desintegração do Iraque, se virmos, por amor de Deus, o pior cenário, a guerra civil, toda a região seria atingida pelo Iraque", acrescentou.

"Tivemos um breve sinal de guerra civil no Líbano décadas atrás, mas isto é completamente diferente", afirmou. "Isto envolveria todos os países da região."

Para Abdullah, o Iraque também precisa de estabilidade para identificar os integrantes do antigo regime de Saddam Hussein, que deveriam ser barrados de retomar a atividade política.

"O que estamos dizendo é: identifiquem de uma vez por todas quem é o povo e quem é persona non grata", disse. "São cem? São cem mil? Vamos fazer essa lista", disse Abdullah.

Muitos iraquianos filiaram-se ao partido Baath, de Saddam Hussein, para garantir emprego, mas oficiais norte-americanos afirmam que de 15 mil a 30 mil militantes deveriam ser proibidos de ingressar no novo governo iraquiano.

Segundo Abdullah, o cargo mais crítico no novo governo iraquiano será o de primeiro-ministro. O papel do presidente será quase simbólico, avalia. Para ele, os candidatos para o cargo de primeiro-ministro deverão ser aqueles que permaneceram no país durante o regime de Saddam Hussein.

"Imagino que seja alguém de dentro, ao invés de alguém que veio ao Iraque depois da queda do regime de Saddam", disse. "E alguém que, você sabe, seja um indivíduo muito duro, porque precisará de muita força...para poder trazer estabilidade e calma às ruas do Iraque."

Aliada dos EUA, a Jordânia não enviará tropas para uma força multilateral no Iraque, disse o rei Abdullah.

"Não, não é que nós não queiramos dividir a responsabilidade, mas minha crença pessoal é que nós na Jordânia, como um país que tem fronteira como o Iraque, assim como outros países --quatro ou cinco países têm--, acho que todos temos agendas próprias". disse.

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