Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Iraque encomenda grande volume de antídoto contra gás paralisante

Terça, 12 de Novembro de 2002 às 22:04, por: CdB

O Iraque encomendou grandes quantidades de uma droga que pode ser usada para conter os efeitos do gás paralisante, principalmente de fornecedores na Turquia, que está sendo pressionada para pôr fim a tais vendas, de acordo com importantes autoridades da administração Bush. As autoridades disseram que os pedidos em muito superam a quantidade que o Iraque poderia necessitar para uso hospitalar, afirmando que a Turquia sugeriu em discussões com o Departamento de Estado que estaria disposta a rever a questão. "Se os iraquianos fossem utilizar agentes neurológicos", disse uma autoridade, "eles irão tentar proteger seus próprios soldados, se não a população. A inteligência americana tem estado atenta e muito preocupada com isto". O Iraque encomendou, principalmente de uma empresa turca, um milhão de doses do medicamento, atropina, e auto-aplicadores que o injetam diretamente na perna da pessoa, disseram as autoridades. Não se sabe exatamente quantas doses do medicamento foram efetivamente entregues. A atropina é altamente efetiva em bloquear agentes neurológicos como o gás sarin e o VX, ambos produzidos e estocados no Iraque. O Iraque alega ter destruído estes estoques, mas as agências de inteligência dos Estados Unidos duvidam de tal afirmação. Uma autoridade disse que o Iraque também fez pedidos de um outro antídoto para agentes químicos, o cloreto de obidoxime. As autoridades disseram que os hospitais e clínicas de todo o mundo geralmente estocam atropina para ressuscitar pacientes que tiveram infartos. Como resultado, a atropina não foi incluída na lista de milhares de itens de "duplo uso" citados pelos membros do Conselho de Segurança da ONU em maio, uma lista que precisa ser cuidadosamente revista pelos inspetores antes de embarcarem para o Iraque. A grande compra de auto-aplicadores e atropina, entretanto, gerou preocupação entre os especialistas em armas químicas, analistas da inteligência e importantes autoridades da Casa Branca, que argumentam que a atropina, quando usada para conter ataques cardíacos, é normalmente administrada de forma intravenosa e em doses muito menores. O cloreto de obidoxime não é muito usado para isto, disse um especialista.

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