O ministro do Exterior do Iraque, Naji Sabri, disse que não é necessária uma nova resolução da ONU para resolver a crise sobre a inspeção de armas no país e acusou os Estados Unidos de usar a organização para implementar o "colonianismo" americano. Em entrevista à BBC, Naji Sabri disse que o novo regime de inspeções aceito pelo governo iraquiano já apresenta um grau de intrusão e complexidade sem precedentes. O Conselho de Segurança das Nações Unidas está estudando o texto da proposta de uma nova resolução apresentada pelos Estados Unidos, com o apoio da Grã-Bretanha, que pede por um regime de inspeção ainda mais rigoroso. O presidente americano, George W. Bush, disse recentemente que se a ONU (Organização das Nações Unidas) não tem o que ele chamou de vontade ou coragem para confrontar o governo de Saddam Hussein, os Estados Unidos irão fazê-lo. Resolução A proposta de resolução apresentada pelos Estados Unidos prevê "sérias conseqüências"- termo interpretado como um código diplomático para ação militar - para o Iraque, caso Saddam Hussein não obedeça às condições apresentadas. Sabri culpou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de estarem atrasando o reinício das inspeções. "Quando os inspetores chegarem, eles vão revelar ao mundo todo as mentiras e fabricações dos Estados Unidos e de Tony Blair (primeiro-ministro britânico)", afirmou Sabri. O ministro iraquiano disse acreditar que há uma forte oposição à proposta de resolução no Conselho de Segurança, que nunca a aprovaria. A Rússia e a França - também membros permanentes do Conselho e com poder de veto - temem que a proposta americana sirva como um gatilho para o início de uma operação militar no Iraque. Os dois países apresentaram propostas alternativas. O correspondente da BBC em Bagdá, Rageh Omaar, diz que o governo iraquiano já tentou de tudo para evitar uma nova resolução, mas que a campanha americana também é grande. Unidade A proposta de uma nova resolução precisa de nove votos a favor e nenhum veto para ter sucesso. Os dez membros do Conselho de Segurança da ONU estão divididos sobre o tema. A China deverá se abster. Os Estados Unidos dizem querer uma decisão ainda nesta semana. Na segunda-feira, o chefe da equipe de inspeções da ONU, Hans Blix, se reuniu com membros do Conselho. Depois do encontro - realizado às portas fechadas -, Blix disse que havia enfatizado a necessidade de unidade do Conselho. "Ajuda se o Iraque está consciente de que a falta de cooperação irá resultar em uma reação por parte do Conselho", afirmou Blix.
Iraque diz que Bush usa a ONU para criar 'colonialismo'
Terça, 29 de Outubro de 2002 às 21:22, por: CdB