Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Iraque: diplomatas são alvo de rebeldes

O enviado de Barein no Iraque foi ferido por homens armados que abriram fogo contra o seu carro em Bagdá nesta terça-feira, no segundo ataque contra um diplomata árabe de alto escalão na cidade em três dias, depois do sequestro do enviado do Egito. (Leia Mais)

Terça, 05 de Julho de 2005 às 06:04, por: CdB

O enviado de Barein no Iraque foi ferido por homens armados que abriram fogo contra o seu carro em Bagdá nesta terça-feira, no segundo ataque contra um diplomata árabe de alto escalão na cidade em três dias, depois do sequestro do enviado do Egito.

O governo do Iraque, que assumiu há 10 semanas, disse que os ataques são parte de uma campanha para intimidar outros países árabes que cogitam aprofundar os laços com Bagdá.

- Não é estranho, o sequestro do diplomata egípcio como tentativa de amedrontar embaixadas e missões. Este é o objetivo do terrorismo. Este também é o caso dos tiros contra o diplomata de Barhein - disse Laith Kubba, porta-voz do governo, em encontro com a imprensa.

Cerca de quatro homens em uma picape dispararam contra o carro do enviado no distrito de Mansour, quando ele se dirigia para o trabalho, disse uma fonte da polícia. Uma fonte do hospital disse que Hassan Malalla al-Ansari foi atingido por uma bala na mão direita.

O carro branco de luxo do enviado, com placas diplomáticas vermelhas, ficou com a parte interna manchada de sangue. Pelo menos dois buracos de tiro podiam ser vistos nos faróis, e os pneus estavam furados. Marcas na pintura sugerem que a blindagem pode ter desviado outros tiros. A polícia disse que ele estava sozinho.

Pouco depois, uma bomba explodiu perto da embaixada iraniana, mas a polícia disse que o objetivo era uma patrulha militar dos Estados Unidos, e não a missão. Um guarda civil ficou ferido, disse um soldado norte-americano no local. A equipe da embaixada disse que ouviu a explosão, mas que a missão não foi atingida.

O enviado do Egito, Ihab el-Sherif, foi levado por homens armados no sábado, dias depois que o Iraque indicou que ele se tornaria o primeiro diplomata árabe em Bagdá com função completa de embaixador desde a queda de Saddam Hussein, em 2003.

A embaixada egípcia recusou-se a comentar o caso nesta terça-feira. Autoridades disseram na segunda-feira que ainda não tinham ouvido notícias dos sequestradores.

Barhein tem relação próxima com os EUA e abriga uma grande base naval norte-americana no Golfo, que teve função importante na invasão do Iraque em 2003. Apesar de, a exemplo da maioria dos países árabes, ser governado por muçulmanos sunitas, a maioria do povo é xiita, como a maioria dos iraquianos.

Os esforços políticos para acabar com a revolta da minoria sunita do Iraque, leal a Saddam, estão avançando. Novos delegados sunitas se reunirão nesta terça-feira pela primeira vez com o comitê parlamentar que está preparando a nova Constituição.

A maioria dos sunitas boicotou a eleição de janeiro. Mas o comitê foi ampliado para 71 membros para incluir mais árabes sunitas. Antes havia apenas dois delegados do grupo.

O comitê concordou em apresentar uma proposta de Constituição até 15 de agosto, antes do referendo de outubro e da eleição de dezembro. A primeira reunião completa do grupo será realizada nesta quarta-feira.

O presidente da comitê, Humam Hamoudi, disse que os principais pontos de discordância serão provavelmente até que ponto a Constituição descreverá o Iraque como um país árabe, as fronteiras e o grau de autonomia das regiões federais, como a da maioria curda, que não é árabe, no norte.

 Homens armados abriram fogo contra um comboio que levava o enviado do Paquistão ao Iraque nesta terça-feira, no terceiro ataque a um diplomata em três dias, disseram fontes da polícia.

As fontes disseram que os homens armados, que estavam em dois carros, atiraram contra o comboio no distrito de Mansour, em Bagdá, mas aceleraram depois que os guardas responderam. Não há notícias de feridos, disseram elas. 

O enviado do Egito foi sequestrado no fim de semana e o porta-voz do governo iraquiano disse que os ataques aos diplomatas egípcio e de Barhein fazem parte de um esforço para intimidar os países que consideram aumentar seus laços com o Iraque.

Tags:
Edições digital e impressa