O enviado de Barein no Iraque foi ferido por homens armados que abriram fogo contra o seu carro em Bagdá nesta terça-feira, no segundo ataque contra um diplomata árabe de alto escalão na cidade em três dias, depois do sequestro do enviado do Egito.
O governo do Iraque, que assumiu há 10 semanas, disse que os ataques são parte de uma campanha para intimidar outros países árabes que cogitam aprofundar os laços com Bagdá.
- Não é estranho, o sequestro do diplomata egípcio como tentativa de amedrontar embaixadas e missões. Este é o objetivo do terrorismo. Este também é o caso dos tiros contra o diplomata de Barhein - disse Laith Kubba, porta-voz do governo, em encontro com a imprensa.
Cerca de quatro homens em uma picape dispararam contra o carro do enviado no distrito de Mansour, quando ele se dirigia para o trabalho, disse uma fonte da polícia. Uma fonte do hospital disse que Hassan Malalla al-Ansari foi atingido por uma bala na mão direita.
O carro branco de luxo do enviado, com placas diplomáticas vermelhas, ficou com a parte interna manchada de sangue. Pelo menos dois buracos de tiro podiam ser vistos nos faróis, e os pneus estavam furados. Marcas na pintura sugerem que a blindagem pode ter desviado outros tiros. A polícia disse que ele estava sozinho.
Pouco depois, uma bomba explodiu perto da embaixada iraniana, mas a polícia disse que o objetivo era uma patrulha militar dos Estados Unidos, e não a missão. Um guarda civil ficou ferido, disse um soldado norte-americano no local. A equipe da embaixada disse que ouviu a explosão, mas que a missão não foi atingida.
O enviado do Egito, Ihab el-Sherif, foi levado por homens armados no sábado, dias depois que o Iraque indicou que ele se tornaria o primeiro diplomata árabe em Bagdá com função completa de embaixador desde a queda de Saddam Hussein, em 2003.
A embaixada egípcia recusou-se a comentar o caso nesta terça-feira. Autoridades disseram na segunda-feira que ainda não tinham ouvido notícias dos sequestradores.
Barhein tem relação próxima com os EUA e abriga uma grande base naval norte-americana no Golfo, que teve função importante na invasão do Iraque em 2003. Apesar de, a exemplo da maioria dos países árabes, ser governado por muçulmanos sunitas, a maioria do povo é xiita, como a maioria dos iraquianos.
Os esforços políticos para acabar com a revolta da minoria sunita do Iraque, leal a Saddam, estão avançando. Novos delegados sunitas se reunirão nesta terça-feira pela primeira vez com o comitê parlamentar que está preparando a nova Constituição.
A maioria dos sunitas boicotou a eleição de janeiro. Mas o comitê foi ampliado para 71 membros para incluir mais árabes sunitas. Antes havia apenas dois delegados do grupo.
O comitê concordou em apresentar uma proposta de Constituição até 15 de agosto, antes do referendo de outubro e da eleição de dezembro. A primeira reunião completa do grupo será realizada nesta quarta-feira.
O presidente da comitê, Humam Hamoudi, disse que os principais pontos de discordância serão provavelmente até que ponto a Constituição descreverá o Iraque como um país árabe, as fronteiras e o grau de autonomia das regiões federais, como a da maioria curda, que não é árabe, no norte.
Homens armados abriram fogo contra um comboio que levava o enviado do Paquistão ao Iraque nesta terça-feira, no terceiro ataque a um diplomata em três dias, disseram fontes da polícia.
As fontes disseram que os homens armados, que estavam em dois carros, atiraram contra o comboio no distrito de Mansour, em Bagdá, mas aceleraram depois que os guardas responderam. Não há notícias de feridos, disseram elas.
O enviado do Egito foi sequestrado no fim de semana e o porta-voz do governo iraquiano disse que os ataques aos diplomatas egípcio e de Barhein fazem parte de um esforço para intimidar os países que consideram aumentar seus laços com o Iraque.