A imprensa oficial do Iraque deu sinais claros, nesta quinta-feira, de que o governo do presidente Saddam Hussein estaria se mobilizando para aceitar uma nova resolução das Nações Unidas, que prevê o retorno dos inspetores de armas ao país. O Conselho de Segurança da ONU recebeu dos Estados Unidos a versão final da proposta de resolução e a expectativa é de que vote o documento nesta sexta-feira. O jornal al-Thawra ("Revolução"), do partido governante Ba'ath, acusou os Estados Unidos de tentarem destruir o Iraque para assumir o controle de suas reservas de petróleo. Por outro lado, a publicação deixou no ar a possibilidade de Saddam Hussein acatar as novas determinações. "Não é de interesse do Iraque ignorar ou violar as resoluções do conselho, como outros fazem", afirmou o al-Thawra. "Em troca, o Iraque espera que o Conselho de Segurança não ignore os direitos do país". O jornal sustenta que, embora não tenha condições de competir militarmente com os Estados Unidos, o Iraque vem sendo punido por fazer oposição a Washington. Os comentários no al-Thawra parecem uma indicação clara de que, apesar de suas fortes objeções, o governo iraquiano deverá aceitar a resolução que está sendo negociada desde quarta-feira no Conselho de Segurança, em Nova York. Tradicionalmente, o Iraque afirmava não haver necessidade de uma nova resolução da ONU. Também o jornal oficial al-Jumhiriya ("República"), publicou um editorial sobre a posição do Iraque, citando declarações de Saddam Hussein segundo as quais o país aceitaria uma resolução que respeite a lei internacional, assim como a soberania e a segurança nacionais. A nova resolução atende a algumas das reivindicações do Iraque, por reconhecer a soberania e a integridade territorial do país. Mas também inclui artigos como o direito à inspeção de prédios presidenciais sem aviso prévio - algo que Bagdad afirma ser uma violação. Sob condição de anonimato, diplomatas no Golfo Pérsico e autoridades iraquianas afirmaram que o governo de Bagdad não vê outra escolha a não ser aceitar o retorno dos inspetores de armas da ONU sob as condições determinadas pelo Conselho de Segurança. Para ser implementada, a resolução tem que ser aprovada por nove dos 15 integrantes do Conselho de Segurança e não pode receber veto de nenhum dos membros permanentes do órgão - Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China. Franceses e russos revelaram ainda ter preocupações com "ambigüidades" no texto, as quais poderiam permitiriam um ataque dos Estados Unidos ao Iraque.
Iraque dá sinais de aceitação à resolução da ONU
Quinta, 07 de Novembro de 2002 às 13:41, por: CdB