Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 2026

Iraque cancela licença de empresa de segurança americana

Segunda, 17 de Setembro de 2007 às 18:04, por: CdB

O Ministério do Interior do Iraque cancelou a licença da empresa americana de segurança privada Blackwater depois que alguns de seus funcionários participaram de um tiroteio em Bagdá, no domingo, no qual morreram pelo menos oito civis.

A Blackwater tem um contrato estimado em US$ 300 milhões (cerca de R$ 575 milhões) com o Departamento de Estado americano para fazer a segurança de seus funcionários e equipamentos no Iraque.

Segundo o diretor de operações do ministério iraquiano, Abdul Karim Khalaf, a partir de agora a empresa, que tem sede no Estado da Carolina do Norte, está proibida de atuar no Iraque.

Todos os funcionários da Blackwater, com exceção daqueles envolvidos no incidente de domingo, deverão deixar o Iraque imediatamente. Os agentes que participaram do tiroteio terão de permanecer no país e responder a processo.

Khalaf disse também que o governo iraquiano irá processar qualquer empresa estrangeira que usar força excessiva.

Milhares de agentes de segurança privados trabalham no Iraque. Segundo críticos, apesar de estarem quase sempre fortemente armados, alguns desses agentes não recebem treinamento apropriado.

Tiroteio

O incidente do qual participaram os agentes da Blackwater ocorreu por volta das 12h30 (horário local) de domingo, em um bairro de maioria sunita em Bagdá. O comboio que levava os funcionários do Departamento de Estado americano foi atacado.

Nesse momento, segundo o Ministério do Interior do Iraque, os seguranças da Blackwater "abriram fogo aleatoriamente contra cidadãos", matando oito pessoas e ferindo outras 13.

Mais tarde, uma porta-voz da embaixada americana em Bagdá confirmou a ocorrência de um incidente no qual seguranças dos funcionários do Departamento de Estado reagiram à explosão de uma bomba "nas proximidades" e disse que os agentes haviam sido alvo de tiros.

A porta-voz disse que a situação da Blackwater está em discussão, agora que a empresa foi proibida de atuar no Iraque. A empresa não fez comentários sobre o incidente.

Rice

Um porta-voz da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que a secretária quer assegurar que esteja sendo feito todo o possível para evitar a morte de inocentes e para garantir que esse tipo de incidente não volte a ocorrer.

Nesta segunda-feira, Rice telefonou ao primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki. A secretária lamentou o incidente e reafirmou que os Estados Unidos iniciaram sua própria investigação sobre o caso.

Segundo informações do Departamento de Estado, ambos concordaram com a importância de trabalhar juntos em uma investigação transparente sobre o incidente.

O incidente de domingo ocorreu depois da publicação de uma pesquisa segundo a qual cerca de 1,2 milhão de pessoas já morreram por causa do conflito no Iraque.

Segundo a agência de pesquisas britânica Opinion Research Business, o cálculo foi feito com base em entrevistas com 1.461 iraquianos, nas quais eles deveriam dizer quantas pessoas em suas famílias haviam morrido em decorrência da violência, e não de causas naturais.

Outra pesquisa, publicada pela revista científica Lancet em 2006, sugeria que cerca de 655 mil iraquianos tinham morrido em decorrência da guerra.

Essas estimativas são bem mais altas do que o cálculo do grupo Iraq Body Count, segundo o qual entre 71 mil e 78 mil civis morreram já morreram no Iraque desde a invasão do país comandada pelos Estados Unidos, em 2003.

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