Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Iranianos negam envolvimento do presidente em seqüestro

Dois importantes personagens nos 444 dias de ocupação da embaixada dos EUA em Teerã, entre 1979 e 1980, negaram na quinta-feira que o presidente eleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tenha participado da ação que levou Washington a romper relações com o país. (Leia Mais)

Quinta, 30 de Junho de 2005 às 06:12, por: CdB

Dois importantes personagens nos 444 dias de ocupação da embaixada dos Estados Unidos em Teerã, entre 1979 e 1980, negaram na quinta-feira que o presidente eleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tenha participado da ação que levou Washington a romper relações com o país.

- Ahmadinejad não estava entre aqueles que ocuparam a embaixada norte-americana depois da revolução - disse Abbas Abdi, que ajudou a orquestrar a invasão e o sequestro dos funcionários após a Revolução Islâmica de 1979.

Ao todo, 52 norte-americanos passaram 444 dias presos. Décadas depois do rompimento de relações, o presidente George W. Bush incluiu o Irã na lista de inimigos chamada de "eixo do mal" e acusou o país de desenvolver armas nucleares - o que Teerã nega.

Em entrevista ao jornal Washington Times, divulgada na quinta-feira, três norte-americanos que foram reféns na embaixada em 1979 disseram se lembrar de Ahmadinejad como sendo um dos comandantes da operação.

- Ele era um dos dois ou três líderes principais", disse o coronel da reserva Charles Scott, de 73 anos.

-O novo presidente do Irã é um terrorista - acrescentou.

Outro antigo refém, o capitão da Marinha Donald Sharer, que hoje está na reserva, lembra de Ahmadinejad como um "indivíduo cruel, linha-dura", segundo o jornal.

- Eu sei que ele era um interrogador - disse Sharer, de 64 anos. Ele disse ao Times que foi interrogado por Ahmadinejad, mas não se lembrava sobre que assunto.

Mas Abdi, ex-estudante revolucionário que depois se tornou um reformista radical e foi preso em 2002 por vender informações a estrangeiros, inclusive à empresa norte-americana de pesquisas Gallup, disse que os ex-reféns citados no jornal têm memória fraca.

O Times disse que Ahmadinejad era um universitário de 23 anos em novembro de 1979, quando a embaixada foi ocupada, e que havia ajudado a fundar um grupo estudantil radical que organizou a ação.

Mohsen Mirdamadi, outro líder do sequestro, negou as informações do Times.

- Nego tais relatos. Ahmadinejad não era um membro do grupo de estudantes radicais que ocupou a embaixada ¬ disse o ex-parlamentar Mirdamadi, que, a exemplo de vários outros ex-sequestradores, é agora um inflamado defensor da necessidade de reformas no sistema político do Irã.

A assessoria do presidente eleito negou que ele tenha participado da ocupação da embaixada.
Adversários de Ahmadinejad, ex-membro da radical Guarda Revolucionária, acusaram-no durante a campanha de ter participado de operações clandestinas no exterior durante a guerra contra o Iraque (1980-88). Seus aliados negam veementemente as acusações.

Tags:
Edições digital e impressa