Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Iraniana pede apoio do Brasil na ONU contra violações de direitos humanos de governo Ahmadinejad

Quinta, 09 de Junho de 2011 às 07:40, por: CdB

Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A advogada iraniana e Prêmio Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi, pediu hoje (9) na Câmara dos Deputados que o Brasil vote a favor do povo iraniano e contra o governo "ditatorial" do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, na sessão da Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada em setembro.

Shirin Ebadi ressaltou a mudança de postura do Brasil em relação ao Irã e pediu que a presidenta Dilma Rousseff permaneça do lado do povo iraniano. "Há um ano, felizmente, a política externa do Brasil tem mudado e uma política de apoio a ditadores não encontra espaço na ONU", disse.

"Há várias resoluções da ONU que condenam a conduta do governo iraniano e o governo brasileiro apoiou o povo do Irã e não apoiou um governo ditatorial. Espero que a nova presidenta, com seu voto na ONU, mostre seu compromisso com o povo do Irã", afirmou Shirin Ebadi.

A advogada iraniana lamentou não ter conseguido falar com a presidenta Dilma, mas pediu ao povo brasileiro, em especial às mulheres, que alertem a presidenta sobre as violações dos direitos humanos que são cometidas no Irã contra as mulheres.

"Queria falar para a presidenta do Brasil, que é uma mulher, sobre essas leis, mas, infelizmente, não foi possível. Por isso, peço que vocês falem isso para a sua presidenta", disse a iraniana.

Segundo ela, perante as leis iranianas, a mulher é considerada inferior ao homem. Um exemplo, disse a advogada, é que o depoimento de duas mulheres equivale ao mesmo que o de um homem. Além disso, os homens podem ter até quatro esposas e se divorciar quando quiserem, sem dar explicação. Para as mulheres, o divórcio é praticamente impossível.

Shirin Ebadi afirmou ainda que a situação dos direitos humanos no Irã piora a cada dia e que a repressão aos opositores do governo Ahmadinejad tem sido cada vez mais dura, inclusive contra a imprensa.

Segundo ela, números da organização Repórteres sem Fronteiras mostram que o Irã tem o maior número de jornalistas presos no mundo. "Qualquer pessoa que mostre discordância ao governo vai preso", ressaltou.

De acordo com Shirin Ebadi, após a eleição presidencialde junho de 2009 o povo, inconformado com o resultado, saiu às ruas e, por esse motivo, um grande número de pessoas foi morta e milhares feridas.

Ainda segundo a iraniana, inúmeros professores foram presos e o representante deles, um aposentado de 65 anos de idade, está detido há mais de dois anos sob condições precárias.

"Peço a vocês que, na ONU, não fiquem ao lado de um governo assim e votem pelo povo do Irã", reforçou.

Ela disse também que, ao lado de outros colegas de profissão, foi forçada a sair do Irã por ser contrária ao governo e por defender presos políticos. No entanto, vários outros advogados foram presos por insistirem em defender os críticos de Ahmadinejad.

A advogada iraniana acrescentou que o número de execuções é grande e que várias dessas mortes ocorre nas ruas "aos olhos da população". Ela informou que a idade penal no Irã atualmente é de 9 anos para mulheres e 15 para os homens.

"No mês passado o Irã executou dois jovens de 17 que supostamente cometeram um crime pela leis do país", lamentou.

Shirin Ebadi acrescentou que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, usa o lema de "morte aos Estado Unidos e a Israel" para justificar a repressão a seus opositores.

"Não estamos de acordo com os Estados Unidos nem com Israel, mas também não concordamos com o governo do Ira", reforçou.

 

Edição: Lílian Beraldo

Tags:
Edições digital e impressa