Brasília - Bem-humorada e simpática, a presidenta da Organização Iraniana de Assuntos das Mulheres e da Família do Irã, Mrayam Mojtahed-zade, de 52 anos, disse à Agência Brasil que a imagem da mulher iraniana oprimida e infeliz não corresponde à realidade. Vestida segundo o rigor dos padrões impostos pela Revolução Islâmica no Irã, ela não demonstrou incômodo nem transtorno com o traje pesado e a temperatura de 27 graus Celsius de Brasília.
“O presidente [do Irã] Mahmoud Ahmadinejad tem grande respeito pelas mulheres. O presidente disse uma certa vez que, quando assessores deixarem o governo, ele vai substitui-los por mulheres. A minha presença aqui para a posse [de Dilma Rousseff] demonstra esse respeito”, disse. “Nós, mulheres em cargos de comando, somos mais precisas do que os homens”, afirmou Mrayam, dando um discreto sorriso em seguida.
A iraniana afirmou que há uma impressão equivocada sobre as mulheres de seu país e o modo de vida iraniano. Para ela, o Brasil e o Irã podem desenvolver políticas sociais comuns, por isso ela quer reunir-se com a nova ministra de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes. A expectativa é que a conversa ocorra até domingo (2).
De acordo com Mrayam, inicialmente, o desafio no Irã foi alfabetizar as mulheres. Para vencer o obstáculo, o governo determinou que cada família assumisse essa responsabilidade. Segundo ela, hoje apenas 7% das mulheres são analfabetas. Em seguida, a preocupação foi melhorar o atendimento à saúde da mulher.
“O desafio atual das mulheres no Irã é o aperfeiçoamento e a formação profissionais. Já avançamos muito. Dos universitários formados, 65% são mulheres. O restante é de homens. Há cinco mulheres em cargos de comando no governo federal”, disse. Segundo ela, também há mulheres no parlamento e ocupando cargos nos conselhos municipais.
Edição: Lana Cristina