Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Irã x Iraque, um dos crimes de Saddam e quando os EUA deram uma "mãozinha" ao ex-ditador

Quinta, 01 de Julho de 2004 às 00:02, por: CdB

Os EUA passaram a custódia de Saddam para os iraquianos. Isso é verdade, mesmo que de maneira teórica. É verdade também que ele responderá pelos seus crimes, que foram lidos hoje, em um tribunal iraquiano. Contudo, será verdade que ele será julgado em audiência aberta? Bem, isso já é outra história.

O problema são os "pequenos" segredos que o ex-ditador tem consigo e que foram amealhados durante os seus longos anos de ditadura. Esses segredos podem não ser nada agradáveis para seus "algozes" norte-americanos.

Um exemplo disso é a Guerra Irã x Iraque, travada durante a década de 80.

Em 1980, o novo presidente do Iraque, na ocasião, Sadam Hussein, lançou um ataque preventivo contra o Irã, numa tentativa de tomar seus campos de petróleo. Do outro lado, Saddam tinha sido provocado pelo líder iraniano Aiatolá Khomeini que apelava à maioria xiita no Iraque para se rebelar contra o atual governo sunita do partido Baath.

Nessa época os EUA não tinham boas relações nem com o Iraque, que tinha se aproximado da União Soviética, nem com o Irã por causa da revolução iraniana e do seqüestro dos americanos na embaixada norte-americana em Teerã.

O Irã havia sido um bom parceiro para os americanos conseguirem petróleo durante o embargo árabe e uma invasão no país pelo Iraque seria a esperança para que o acesso ao ouro preto iraniano continuasse. O Iraque adquiriu então status de parceiro, de uma hora para outra. Assim como o Irã, ex-aliado, agora era inimigo.

O conflito que já durava alguns anos (ao todo foi de 1980 a 1988) se tornou um elefante branco e estava sendo um desastre para os dois lados, tanto iraniano, quanto iraquiano.

Então os norte-americanos resolveram "dar uma mãozinha" e um plano foi arquitetado por Washington, denominado "Opções para evitar a Derrota do Iraque". Embora não sendo aliado de Bagdá, Ronald Reagan viu que, além da possibilidade da volta da utilização do petróleo iraniano, seria péssimo para aquele período de "Guerra Fria" Saddam ser derrotado por um regime islâmico radical e principalmente, anti-americano, como era e é o Irã.

Então, seguindo seus interesses, os Estados Unidos tiraram o Iraque da lista de nações que patrocinavam o terrorismo.

Um emissário presidencial foi mandado a Bagdá como sinal de apoio a Saddam Hussein. Seu nome? Donald Rumsfield, o atual braço direito de Bush na Segurança Nacional. Ele foi auxiliar o ditador a evitar a provável derrota para o furioso exército iraniano.

A partir daí os Estados Unidos ajudaram financeiramente, belicosamente e até rebandeirou vários navios iraquianos com bandeiras norte-americanas para evitar que fossem bombardeados pelo Irã.

Sem a ajuda norte-americana, os iranianos teriam "adiantado o serviço" para os Estados Unidos e acabado com Saddam pois seu governo dificilmente teria sobrevivido ao conflito.

São voltas que a história dá, e que talvez os segredos que Saddam guarda possam explicar melhor tantas simpatias momentâneas e tantos outros ataques repentinos. Mas Bush não vai querer ver esses "segredos" no ventilador, isso já é certo.

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