As coisas não vão nada bem no Oriente Médio.
Os problemas de sempre confirmam o clichê - guerra no Iraque, conflitos entre palestinos e israelenses, pendências no Líbano, petróleo, radicais religiosos, terroristas, etc. No entanto, um país vem destacando-se no caos: a República Islâmica do Irã. O que tem o Irã de tão especial? Além de ter uma íntima relação com todos os problemas citados acima, há ainda a possibilidade de tratar-se de uma potência nuclear.
O projeto nuclear iraniano teve início em meados dos anos 1980, ainda sob a liderança suprema do Aiatolá Khomeini. Em 1979, Khomeini deu início à Revolução Iraniana, que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi; o país passou de uma ditadura modernizadora apoiada pelo Ocidente, para um regime teocrático, xiita, expansionista e anti-ocidental (mais particularmente contra os EUA e Israel). É claro que tal mudança de rumos não foi bem vista em Washington, que tentou até mesmo derrubar o novo governo.
Depois do conflito com o Iraque, nos anos 1980, Teerã abandonou a retórica universalista de expandir a revolução, mas isso não diminuiu as apreensões norte-americanas. Na época, os EUA posicionaram-se ao lado dos iraquianos e, após uma custosa guerra, o regime fundamentalista do Irã começou a adotar uma política externa mais pragmática, de afirmação regional.
A questão nuclear começou a ganhar relevância em 2002, quando técnicos russos denunciaram a existência de laboratórios secretos de enriquecimento de urânio em Natanz. No ano seguinte, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) denunciou que o Irã escondia um projeto nuclear há 18 anos e encaminhou a questão para o Conselho de Segurança da ONU. A partir daí, o Irã vem desrespeitando os prazos concedidos para interromper o programa e, apesar das sanções econômicas já impostas, segue decididamente em frente, como "um trem que não tem freio ou marcha à ré" (palavras do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, eleito em 2005).
Membro da AIEA desde 1958 e signatário do Tratado de Não-Proliferação (TNP), o Irã insiste nos fins pacíficos e energéticos do projeto, mas proibiu parcialmente as inspeções da agência da ONU nos laboratórios. Diante da teimosia de Teerã, novas sanções foram impostas (nada que afete o fornecimento petróleo do quinto maior produtor mundial) e mesmo aliados na ONU, como Rússia e China, começam a ficar impacientes.
A questão, até agora enfrentada pelas grandes potências na base da diplomacia, começa a ganhar contornos definidos de guerra com o aprisionamento dos marinheiros ingleses. Resta saber se a dupla Bush-Blair, encerrando seus respectivos mandatos, irá encarar um conflito às cegas contra um país que, em tese, possui armas nucleares.
Sim, as coisas não vão bem no Oriente Médio; mas nada que não possa ficar pior.