Domingo, 10 de Novembro de 2013 às 15:20, por: CdB
Rohani mantém a posição do Irã de seguir adiante com um programa nuclear para fins pacíficos
O presidente iraniano, Hassan Rohani, reafirmou neste domingo os direitos nucleares do Irã um dia depois das negociações de Genebra que, apesar dos avanços, não conseguiram levar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Durante três dias, as grandes potências e o Irã buscaram em Genebra alcançar um acordo sobre o polêmico programa nuclear iraniano, que oficialmente apenas é civil, mas que Israel e o Ocidente suspeitam que busca fabricar uma arma nuclear. Os comentários das últimas horas sobre a reunião entre os chamados 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) e o Irã eram otimistas, o que confirma as esperanças geradas pela eleição em junho de Rohani, um moderado.
O chefe da diplomacia alemã, Guido Westerwelle, considerou que estavam "mais próximos de uma solução razoável do que estivemos em anos", enquanto seu colega americano, John Kerry, saudou os progressos realizados. Por sua vez, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, disse não estar nem um pouco decepcionado, apesar da ausência de acordo; e o britânico William Hague considerou que um acordo sobre o programa nuclear iraniano "está sobre a mesa e pode ser concluído".
Na saída do encontro, a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, e Javad Zarif anunciaram que as negociações serão retomadas no dia 20 de novembro. Mas na manhã deste domingo o presidente Hassan Rohani ressaltou que seu país não renunciará aos seus direitos nucleares, incluindo o enriquecimento de urânio, declarou à imprensa.
– Há linhas vermelhas que não podem ser cruzadas. Os direitos da nação iraniana e os nossos interesses são uma linha vermelha, assim como os direitos nucleares no âmbito das regras internacionais, que incluem o enriquecimento de urânio em solo iraniano – ressaltou.
A retomada das negociações com o Irã, bloqueadas há anos, quer aproveitar a abertura em relação ao Ocidente de Rohani, que parece querer terminar logo com 10 anos de tensão sobre a questão nuclear, para relaxar e depois levantar as sanções que pesam sobre seu país.
Mas as negociações tropeçaram nas exigências de esclarecimentos de alguns participantes, em particular da França, sobre a redação de um acordo temporário de seis meses, primeira etapa "verificável" antes de um acordo permanente.
Ocidente quer garantias
O Ocidente exige garantias sobre o reator de águas pesadas de Arak e sobre a fabricação de plutônio, mas especialmente sobre a capacidade do Irã de enriquecer urânio a 20%, o parque de 19.000 centrífugas e a fabricação de uma nova geração de centrífugas cinco vezes mais rápidas.
Em troca deste acordo, o Irã espera um relaxamento "limitado e reversível" de algumas sanções, principalmente às que se referem ao congelamento pelos EstadOS Unidos dos bens iranianos em bancos de terceiros países.
O chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, foi o primeiro a anunciar a ausência de acordo, ressaltando que havia um longo caminho pela frente.
A determinação francesa irritou em um primeiro momento alguns diplomatas, mas várias fontes diplomáticas reconheceram após o fracasso em alcançar um acordo que "há diferentes pontos que representam problemas para diferentes países, não apenas para a França".
Por parte da oposição iraniana, a presidente do Conselho Nacional da Resistência Iraniana (CNRI), Maryam Radjavi, considerou em um comunicado enviado à AFP que qualquer acordo entre o Irã e as grandes potências que não preveja a detenção completa do programa nuclear iraniano dá a Teerã a possibilidade de adquirir a arma nuclear.
O ambiente otimista das negociações pode ter um primeiro resultado concreto muito em breve: a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cujo diretor-geral, Yukiya Amano, viajará na segunda-feira a Teerã, espera obter concessões do Irã sobre o programa de verificação e de visitas as suas instalações nucleares.
O Irã espera por um acordo que alivie as sanções internacionais que congelaram seus ativos ao redor do mundo e têm impedido o país de vender o petróleo que produz.
São, finalmente, os norte-americanos e os iranianos, que não tiveram vínculos formais diplomáticos há mais de três décadas, que têm o poder de fazer um acordo.
Mas no sábado, a atenção de repente se virou para a França, depois que o chanceler francês, Laurent Fabius, disse à rádio France Inter que Paris não poderia aceitar um acordo fraco com o Irã.
– Desde o início, a França queria um acordo para a importante questão do programa nuclear do Irã. A reunião de Genebra nos permitiu avançar, mas não fomos capazes de concluir, porque ainda há algumas questões a serem abordadas – disse Fabius a jornalistas após a reunião, que durou até as primeiras horas deste domingo.
"Não somos cegos"
Os Estados Unidos continuam céticos em relação à vontade do Irã de desmantelar o seu programa nuclear e que as sanções serão mantidas enquanto as negociações continuarem, disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, neste domingo, após a rodada de negociações.
– Nós não somos cegos, e eu não acho que nós sejamos estúpidos. Acho que temos uma boa noção de como medir se estamos ou não agindo de acordo com os interesses do nosso país e do mundo – disse Kerry ao programa Meet the Press da rede norte-americana de TV NBC.
Israel também manifestou ceticismo, advertindo que o Irã não merece confiança até que desmonte o seu programa nuclear.
Kerry disse que os EUA têm o objetivo de conseguir que Teerã suspenda o desenvolvimento nuclear como um primeiro passo em direção a um desmantelamento completo do programa. Washington vai manter as sanções em vigor por enquanto, disse ele.
– Ninguém falou sobre como se livrar da arquitetura atual de sanções. A pressão continuará – disse.
Já o secretário das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, disse neste domingo que as negociações sobre o programa nuclear do Irã poderão resultar em um acordo dentro das próximas semanas, apesar do fracasso das negociações deste fim de semana em Genebra.
As negociações inconclusivas "tiveram um grande progresso", aproximaram todos os lados e deixaram transparecer a chance de que as partes chegarão a um acordo em breve, disse Hague.
– Sobre a questão de que (um acordo) aconteça nas próximas semanas, há uma boa chance de isso acontecer. Nós não temos perdido o nosso tempo, mas é uma negociação formidavelmente difícil. É vital manter o ritmo ... a coisa está sobre a mesa e isso pode ser feito – disse Hague à agência inglesa de notícias BBC.
O Irã e seis potências mundiais não conseguiram chegar a um acordo na maratona de negociações em Genebra para conter o programa nuclear iraniano. Hague disse ter sentido que o ministro do Exterior iraniano, Mohammad Javad Zarif, quer chegar a um acordo.
– Eu acredito que ele quer resolver este problema, que ele está prestes a fazer um acordo – disse Hague.
Qualquer acordo envolveria, inevitavelmente, compromissos que não seriam bem-vindos por todos os países, acrescentou o chanceler britânico. Questionado sobre se um acordo conteria garantias que satisfariam o governo israelense de que o Irã não seria capaz de desenvolver uma bomba nuclear em breve, Hague respondeu:
– Terá de ser um acordo que vai agradar todo mundo? Bem, não vai não, porque compromissos terão de ser feitos.
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