Obama, desanimado, conversa com o premiê britânico, David Cameron(D) na Cúpula do G20
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif ressaltou, nesta sexta-feira, que o governo fará um esforço para "eliminar as preocupações” existentes na comunidade internacional em torno do programa nuclear desenvolvido no país. A declaração ocorrem em meio às negociações do G20, em São Petesburgo, na Rússia, onde os presidentes russo, Vladimir Putin, e norte-americano, Barack Obama, discordam quanto a uma possível solução militar na Síria. Em relação ao Irã, a comunidade internacional desconfia que há a produção de armas nucleares no Irã e, por essa razão, o país sofre uma série de restrições. Os iranianos, porém, negam irregularidades no programa.
– Há dois princípios no domínio nuclear: primeiro, o respeito pelos nossos direitos em matéria de tecnologia nuclear, especialmente o enriquecimento de urânio. O segundo, eliminar as preocupações internacionais – disse Zarif, que conversou, por telefone, com a alta representante dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, Catherine Ashton.
Zarif acrescentou que a produção de armas químicas não faz parte da política do governo do presidente Hassan Rohani.
– Eliminar as preocupações internacionais é do nosso interesse porque as armas atômicas não fazem parte da política da República Islâmica do Irã. Consequentemente, o nosso interesse é eliminar qualquer ambiguidade sobre o programa nuclear – garantiu.
O chanceler reiterou que, por determinação do presidente da República, é preciso “mostrar vontade política para progredir rapidamente". Depois de eleito, em junho, Rohani anunciou que pretendia fazer "negociações sérias, sem perdas de tempo" com as grandes potências e estar pronto a mostrar maior transparência, sem ceder na questão dos "direitos inegáveis" do Irã no domínio nuclear.
Rohani referia-se ao enriquecimento de urânio, alvo das preocupações ocidentais e principal tema de debate nas negociações do grupo dos 5+1 – formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (França, Reino Unido, Estados Unidos, China e Rússia), e a Alemanha.
Ashton e Zarif deverão se reunir no fim do mês em Nova York (Estados Unidos), no intervalo das sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas.
– À margem da Assembleia Geral das Nações Unidas (fim de setembro), teremos uma reunião que será muito importante – disse Ashton.
Espionagem
Em mais um ato flagrante de espionagem internacional, os Estados Unidos interceptaram uma suposta ordem de uma autoridade iraniana a militantes no Iraque para atacar alvos norte-americanos em Bagdá, caso o governo Obama leve adiante a intenção de bombardear a Síria. A informação vazou para o diário conservador norte-americano Wall Street Journal.
A embaixada norte-americana em Bagdá era um dos prováveis alvos, segundo fontes oficiais não identificadas que falaram ao jornal. O diário disse que as autoridades não descreveram toda a gama de possíveis alvos indicados pela inteligência. Na quinta-feira, o Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta para que cidadãos dos EUA evitem viagens não essenciais ao Iraque.
Segundo o Journal, a mensagem do Irã partiu do comandante da Força Qods da Guarda Revolucionária e foi interceptada dias atrás, quando era enviada para grupos militantes xiitas no Iraque, apoiados por Teerã.
O presidente dos EUA, Barack Obama, vem nos últimos dias buscando apoio interno e externo para uma ação militar limitada que puna o governo sírio pelo suposto uso de armas químicas contra civis, em agosto, mas segue cada vez mais isolado. O governo de Bashar al-Assad, que tem o Irã como seu principal aliado regional, nega ter cometido o ataque.
O presidente da China, Xi Jinping, disse ao presidente dos EUA, Barack Obama, nesta sexta-feira, que a crise na Síria deve ser resolvida através de uma solução política e não com um ataque militar, informou a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.
– Uma solução política é a única maneira adequada para resolver a crise síria, e um ataque militar não pode resolver o problema na origem. Esperamos que certos países pensem novamente antes de agir – disse Xi Jinping em uma reunião com Obama à margem da cúpula do G20 em São Petersburgo, de acordo com a agência chinesa de notícias Xinhua.
Reforço na região
Enquanto conversava com Obama em São Petesburgo, o presidente russo concordou com seus almirantes em deslocar o navio de desembarque Nikolai Filchenkov para o leste do Mediterrâneo, reforçando a presença militar perto da Síria, informou nesta sexta-feira a agência russa de notícias Interfax. A Rússia, aliada do presidente sírio, Bashar al-Assad, diz que seus navios no leste do Mediterrâneo garantem a segurança, à medida que os Estados Unidos consideram realizar ataques militares para punir Damasco pelo suposto uso de armas químicas.
– O navio vai atracar em Novorissiysk, onde receberá uma carga especial, e seguirá para um área de serviço designada no leste do Mediterrâneo – afirmou uma fonte não identificada da Marinha à Interfax.
A fonte não deu mais detalhes e o Ministério da Defesa russo recusou fazer qualquer comentário de imediato. O Nikolai Filchenkov não estava entre os navios que seriam deslocados para o Mediterrâneo como parte de um revezamento já planejado, segundo informou o ministro há um mês. A Rússia afirma que não vai se envolver militarmente na Síria e se opõe a um possível intervenção dos EUA, alegando a falta de um mandato do Conselho de Segurança da ONU, onde Moscou tem bloqueado as tentativas do Ocidente de colocar pressão sobre Assad.
De sua parte, o presidente Obama também segue firme na direção de uma catástrofe no Oriente Médio. O dirigente norte-americano desafiou, nesta sexta-feira, a pressão de outros líderes mundiais para que desista de atacar a Síria, o que motivou profundas divisões numa cúpula que tinha a intenção de discutir a recuperação econômica global. Líderes do G20, grupo que reúne grandes economias desenvolvidas e emergentes, divulgaram uma declaração final dizendo que a economia mundial ainda não saiu da crise, mas está melhorando.
Mas o encontro acabou sendo ofuscado pela perspectiva de uma ação militar norte-americana para punir o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, pelo suposto uso de armas químicas contra civis. Num jantar que se prolongou até o fim da noite passada, os presidentes Barack Obama, dos EUA, e Vladimir Putin, da Rússia, continuaram divergindo a respeito disso.
– Houve uma longa discussão, com uma clara divisão no grupo – disse uma fonte do G20 após o jantar num palácio czarista de São Petersburgo. Autoridades japonesas disseram que a crise síria motivou uma "troca de opiniões francas".
A Rússia, principal aliada de Assad no cenário internacional, diz que não há provas de que o governo sírio usou armas químicas contra civis num ataque em 21 de agosto. Moscou usou repetidamente seu poder de veto para impedir uma resolução do Conselho de Segurança da ONU contra Assad. Sem poder contar com o aval da entidade internacional, Obama está buscando o apoio do Congresso norte-americano para uma ação militar unilateral. Ele manteve essa posição em São Petersburgo, apesar do alerta feito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre a necessidade de buscar uma solução política para o conflito.
– A cada dia que perdemos é um dia em que muitos civis inocentes morrem – disse Ban.
Ben Rhodes, vice-conselheiro de segurança nacional do governo Obama, disse a jornalistas que o presidente novamente salientou a convicção de que Assad realmente usou gás sarin para matar cerca de 1,4 mil civis, inclusive centenas de crianças. O governo sírio nega ter realizado o ataque.
Participantes do jantar de quinta-feira disseram que a tensão entre Obama e Putin era visível, mas que eles foram corteses um com o outro e pareceram se esforçar para evitar uma escalada. O presidente norte-americano parece isolado em São Petersburgo, apesar do apoio cada vez mais tímido da França, que sofre uma divisão interna no governo socialista por conta do apoio aos EUA a uma ação militar e da presença e aliados como Turquia e Arábia Saudita. Mas suas ações nos últimos dias sugerem que, para Obama, é mais importante neste momento buscar o aval do Congresso norte-americano do que o apoio internacional.
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