O Irã disse nesta quinta-feira que não quer que os Estados Unidos se envolvam mais nas negociações que está mantendo com a União Européia (UE) sobre seu programa nuclear.
Líderes europeus, incluindo o presidente francês, Jacques Chirac, e o primeiro-ministro alemão, Gerhard Shroeder, exortaram nesta semana o presidente dos EUA, George W. Bush, a aderir à posição da UE de oferecer incentivos ao Irã em troca do fim de parte de sua atividade atômica.
Bush declarou nesta quinta que espera que haja uma solução diplomática para a disputa com o Irã e que os EUA e os europeus concordam sobre como resolver o assunto.
O assessor de segurança nacional norte-americano, Stephen Hadley, disse nesta quarta-feira que o presidente consideraria ao voltar para Washington o uso de incentivos, como a entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a venda de aeronaves civis ao Irã.
Mas Teerã, que nega com veemência as acusações dos EUA de que está construindo secretamente armas nucleares, afirmou que não quer que Washington participe das negociações ao lado da Grã-Bretanha, França e Alemanha.
- A República Islâmica do Irã não vê nenhuma razão para os Estados Unidos entrarem nas negociações entre três países europeus e o Irã sobre seu programa nuclear- disse Hamid Reza Asefi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
- A estratégia da América está clara e gira em torno de Israel. Se a América aderir a estas negociações não tornaria nada melhor, e provavelmente tornaria pior - disse Asefi, segundo a agência oficial de notícias Irna.
Diplomatas europeus reconhecem em conversas privadas que as negociações têm pouca probabilidade de sucesso a não ser que Washington use todo o seu peso, já que muitos dos possíveis incentivos ao Irã precisariam de apoio dos EUA.
O Irã congelou o enriquecimento de urânio - que pode ser usado para combustível de bombas -- e as negociações com a UE continuam. Mas Teerã disse que vai revisar o congelamento em meados de março e se recusa a considerar o fim definitivo do enriquecimento, conforme querem a UE e Washington.