O Irã rejeitou, neste sábado, a oferta da União Européia de auxílio em troca da suspensão de suas atividades com combustível nuclear, pavimentando o caminho para um confronto que pode levar a sanções da ONU contra a república islâmica.
A UE disse que suas propostas visavam permitir o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mas impedir as atividades que poderiam levar a uma bomba atômica. Se Teerã retomar suas atividades nucleares, a UE disse que apoiaria os pedidos dos EUA para levar o caso do Irã à ONU para sanções.
- As propostas são inaceitáveis e as rejeitamos - disse o negociador nuclear iraniano, Hossein Mousavian.
Washington acusa o Irã de tentar secretamente desenvolver um arsenal nuclear, mas Teerã nega a acusação e diz que seu direito a converter e enriquecer urânio para estações de energia nuclear é reconhecido pelo tratado de não-proliferação nuclear (NPT, sigla em inglês).
O novo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não mencionou especificamente a questão nuclear ao assumir o cargo no sábado, mas disse: "Somos racionais e respeitamos as normas internacionais, mas não nos curvaremos àqueles que querem violar nossos direitos... A nação iraniana não pode ser intimidada."
A União Européia - representada por Reino Unido, França e Alemanha - vem trabalhando na busca de um acordo entre o Irã e os EUA desde que o programa nuclear de Teerã foi revelado no fim de 2002, após 18 anos de atividades secretas.
Mousavian acusou a UE de romper um acordo feito com o Irã em Paris no ano passado.
- As propostas não contêm o direito do Irã de dominar o ciclo do combustível - disse ele.
- Isso é contra o NPT e o acordo de Paris.
Os três embaixadores da UE disseram a altos funcionários do Irã que a única parte das propostas do bloco não negociável era sua exigência de que o Irã não deveria reiniciar os trabalhos de conversão e enriquecimento de urânio, disseram fontes presentes à reunião.
Os representantes da UE convocaram uma reunião da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na terça-feira para advertir o Irã contra o reinício dos trabalhos. A AIEA pode levar o Irã ao Conselho de Segurança da ONU para possíveis sanções.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Hamid Reza Asefi, disse que o Irã daria uma resposta completa às propostas da UE no sábado ou no domingo.
Os três países da UE disseram que esperam poder discutir com o Irã sua resposta em um encontro no fim deste mês.
De qualquer forma, o Irã recomeçaria na próxima sexta-feira os trabalhos em uma usina de conversão de urânio na cidade de Isfahan, disse Mousavian. Mas a atividade começaria apenas sob supervisão da AIEA.
A agência disse que poderia tardar até a metade da semana seguinte para seus inspetores e equipamentos de vigilância chegarem ao local.
Mousavian disse que não havia razão para o atraso.
- O atraso da chegada da AIEA não é lógico - disse.
O ministro das Relações Exteriores da França, Philippe Douste-Blazy, pediu ao Irã na sexta-feira para "ouvir a razão" e disse que se o Irã retomar suas atividades nucleares, "a comunidade internacional certamente levará a questão ao Conselho de Segurança."
A UE ofereceu declarar sua "concordância em apoiar o Irã a desenvolver um programa civil de geração de energia nuclear seguro, viável economicamente e contra proliferação."
O Irã também teria que concordar em interromper a construção de um reator de água pesada próximo à cidade de Arak que "gera preocupações sobre proliferação," segundo um resumo das propostas da UE.
O trio disse que em troca eles trabalhariam para acelerar a assinatura de um Acordo de Comércio e Cooperação com o Irã, apoiariam a entrada do Irã na Organização Mundial do Comércio, promoveriam a cooperação energética e trabalhariam em conjunto pela segurança regional.
Apoiando as propostas da UE, os EUA aceitaram pela primeir