Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Irã reduz número de armas a militantes iraquianos, dizem os EUA

Segunda, 21 de Janeiro de 2008 às 06:44, por: CdB

Os militares dos Estados Unidos constataram uma queda acentuada no número de armas iranianas em uso no Iraque, mas nenhuma redução no treinamento e financiamento de milícias iraquianas. Washington vem acusando Teerã de fornecer armas sofisticadas às milícias xiitas no Iraque, incluindo mortíferas bombas capazes de perfurar veículos blindados, conhecidas como EFP (da sigla em inglês), para atacar tropas norte-americanas. O Irã nega a acusação.

- Nós acreditamos que o número de armas comuns entre as milícias, provenientes do Irã e usadas contra a coalizão e as forças de segurança iraquianas, caiu acentuadamente. Não acreditamos que o nível de treinamento tenha sido reduzido de modo algum. Não acreditamos que o nível do financiamento seja menor - disse aos repórteres, em Bagdá, o porta-voz dos militares dos EUA, contra-almirante Greg Smith.

Os comentários surgem num momento de aumento de tensão entre o Irã e os EUA, depois que o governo norte-americano disse que seus navios de guerra foram ameaçados por embarcações iranianas no Estreito de Ormuz no início deste mês. Os dois países já divergem sobre a determinação do Irã de prosseguir com seu programa nuclear. Nas últimas semanas, os funcionários do primeiro escalão dos EUA suavizaram sua retórica em relação ao Irã, atribuindo em parte a forte queda na violência no Iraque desde junho à ação de Teerã para deter o fluxo de armas contrabandeadas para o Iraque. As forças dos EUA também libertaram alguns iranianos detidos.

Smith disse que houve um aumento no número de ataques com EFP registrados nas duas primeiras semanas de janeiro.

- Não sabemos precisamente por que, e agora os ataques voltaram aos níveis normais. Não está claro o que acontece dentro do Irã para ter provocado isso - disse Smith.

Nova rodada

O encontro previsto entre funcionários do primeiro escalão dos EUA e do Irã, em meados de dezembro, para uma quarta rodada de negociações com a finalidade de subjugar a violência no Iraque, foi cancelado por causa de uma visita organizada às pressas da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, ao Iraque. Um porta-voz do governo iraquiano informou que não foi fixada uma nova data para o encontro.

Smith disse que o Irã continua a exercer uma "influência negativa" no Iraque, tendo milícias em treinamento dentro do território iraniano até o fim do ano passado, depois de Teerã ter prometido apoio ao governo iraquiano nos esforços para pôr fim à violência. Muitos milicianos treinados no Irã são tidos como membros renegados da milícia Exército Mehdi, do clérigo xiita Moqtada al-Sadr. Sadr ordenou um cessar-fogo por um período de seis meses, prazo que expira no fim de fevereiro. Ele poderia, portanto, reorganizar sua milícia, hoje fragmentada.

Os militares dos EUA dizem que o Exército Mehdi foi substituído pela rede Al-Qaeda como a maior ameaça à paz no Iraque. Forças dos EUA lançaram uma grande ofensiva contra os militantes desse grupo islâmico sunita em quatro províncias do norte do país e na periferia sul de Bagdá. Smith disse que 121 militantes foram mortos, incluindo 92 "alvos de alto valor" desde o início da operação, no dia 8 de janeiro.

Numa ação com as marcas da Al-Qaeda, um homem-bomba matou, neste domingo, seis pessoas na província de Anbar, no oeste do país, incluindo um membro de uma tribo árabe sunita envolvida na luta contra esse grupo, disseram altos funcionários. Foi o segundo ataque mortífero com bombas em dois dias em Anbar, onde a violência diminuiu sensivelmente nos últimos meses depois que as tribos locais se uniram aos militares dos EUA para expulsar a al-Qaeda dessa vasta região. Muitos militantes se dirigiram para o norte do Iraque.

Em 2007, militantes da Al-Qaeda mataram 3.870 civis e feriram quase 18 mil em 4,5 mil ataques, disse Smith.

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