O governo do Irã quebrou os lacres da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nesta terça-feira e reabriu a unidade de pesquisas sobre enriquecimento de urânio de Natanz. A medida, apesar de ter sido supervisionada por inspetores internacionais, seria uma violação da ordem de suspensão de pesquisas nucleares no país feita pela AIEA e pode levar a sanções do Conselho de Segurança da ONU. Na segunda-feira, o chefe da agência nuclear da ONU, Mohamed El Baradei, afirmou que o mundo está "perdendo a paciência com o Irã". O governo iraniano insiste que está retomando apenas atividades de pesquisa, mas os países ocidentais vinham exigindo há meses na suspensão de todas as atividades nucleares no país.
As autoridades de Teerã não esclareceram que tipo de pesquisa pretendem realizar em Natanz. Em tese, o governo iraniano poderia tanto testar apenas algumas centrífugas como produzir pequenas quantidades de combustível nuclear em laboratório. O Irã já tinha retomado a conversão de urânio, um dos primeiros estágios da produção de combustível nuclear, em agosto, depois que as negociações com a União Européia chegaram a um impasse. Teme-se que o país esteja cada vez mais próximo de poder fabricar uma bomba nuclear. A única etapa que faltaria é o processo de enriquecimento de urânio.
Em setembro, a direção da AIEA chegou a ameaçar levar o Irã ao Conselho de Segurança e pedir sanções. Analistas dizem que o Irã vem conseguindo enfrentar a resistência contra o seu programa nuclear graças à desunião da comunidade internacional, que não consegue chegar a um acordo sobre o tom a ser adotado nas negociações com o país. Por outro lado, os iranianos têm a seu favor o fato que uma intervenção militar no país é bastante improvável enquanto a situação no Iraque permanecer instável.