O Irã pode considerar o envio para o exterior do seu estoque de urânio baixamente enriquecido, disse nesta terça-feira a chancelaria da República Islâmica, sinalizando um possível abrandamento da sua oposição a um plano destinado a tranquilizar governos ocidentais a respeito das ambições nucleares iranianas.
Na semana passada, o chanceler Manouchehr Mottaki pareceu rejeitar a proposta da ONU para o reprocessamento de urânio iraniano no exterior. Os EUA e seus aliados temem que, se feito no Irã, esse processo possa levar à geração de combustível para armas atômicas. O Irã garante que seu programa nuclear se destina apenas a fins civis.
Na terça-feira, num aparente recuo, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, disse que o Irã não se opõe ao envio do urânio baixamente enriquecido, desde que tenha "100% de garantias" de que receberá combustível refinado em troca, para uso em um reator de pesquisas médicas.
As grandes potências mundiais insistiram na sexta-feira para que o Irã aceite a proposta, e o presidente dos EUA, Barack Obama, já ameaçou o país com novas sanções.
– Ninguém no Irã jamais disse que somos contra o envio do urânio enriquecido a 3,5% para o exterior. Conversamos sobre o processo de despacho o combustível – disse Mehmanparast a jornalistas.
– Se dizemos que esperamos cem por cento de garantias, significa que queremos... receber o combustível (com enriquecimento de) 20% – afirmou.
Alguns analistas dizem que o presidente Mahmoud Ahmadinejad é favorável a um acordo, por entender que isso reforçaria sua legitimidade internacional depois da polêmica reeleição em junho, mas que rivais internos estariam tentando solapar o acordo para prejudicá-lo.
Autoridades ocidentais suspeitam também que o Irã esteja negociando para tentar ganhar tempo e evitar novas sanções, enquanto na verdade pretenderia manter o seu programa de enriquecimento nuclear.
O principal negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili, disse, segundo relato da TV iraniana em árabe Al Alam, que "a República Islâmica do Irã precisa de garantias objetivas para o intercâmbio de combustível nuclear para o seu reator de Teerã."
Ahmadinejad esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, na segunda-feira, e ouviu do presidente brasileiro uma defesa ao direito do Irã ter um programa nuclear para fins pacífico.
Irã quer garantias para embarcar combustível nuclear
O Irã pode considerar o envio para o exterior do seu estoque de urânio baixamente enriquecido, disse nesta terça-feira a chancelaria da República Islâmica, sinalizando um possível abrandamento da sua oposição a um plano destinado a tranquilizar governos ocidentais a respeito das ambições nucleares iranianas.(Leia Mais)
Terça, 24 de Novembro de 2009 às 09:16, por: CdB