Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Irã prepara resposta sobre plano nuclear

Sexta, 28 de Julho de 2006 às 07:15, por: CdB

O Irã, um dos principais apoiadores do Hezbollah, observa de longe o desenrolar do conflito entre esse grupo xiita e Israel, enquanto prepara com calma sua resposta à oferta internacional de incentivos em troca do abandono de seu programa de enriquecimento de urânio.

Vários líderes libaneses, incluindo o dirigente druso Walid Jumblatt, vincularam o regime xiita de Teerã e seu aliado árabe, a Síria, à captura de dois soldados israelenses pelo Hisbolá, o que detonou a atual crise no Oriente Médio, no último dia 12.

Jumblatt foi direto ao afirmar que o Irã foi o país que deu a ordem ao Hezbollah (Partido de Deus) para capturar os dois soldados, e desviar assim a atenção do mundo sobre o caso nuclear.

Os líderes iranianos rejeitaram tais acusações, assim como as afirmações dos Estados Unidos e de Israel sobre o suposto envio pelo regime conservador iraniano de material militar ao Hezbollah. As lideranças de Teerã afirmaram que seu apoio a essa milícia e aos grupos radicais palestinos "é político e moral".

Ao mesmo tempo, Teerã insiste em que só no fim de agosto terá analisado "sem restrições" a proposta e anunciará sua resposta ao plano de incentivos que União Européia (UE), Alemanha e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU lhe ofereceram em junho.

Apesar do apoio oficial ao Hezbollah, uma considerável parte dos iranianos, em sua maioria pessoas com problemas econômicos, parece estar pouco interessada no conflito israelense-libanês e considera que seu regime deve solucionar os problemas de sua população antes de tentar resolver os de outros países.

As bandeiras do Partido de Deus e os retratos do líder deste grupo, Hassan Nasrallah, levadas por muitos dos que participaram de manifestações de apoio organizadas pelas autoridades, já não aparecem nas ruas.

Vários analistas no Irã consideram que a posição oficial de Teerã, tanto no conflito do Oriente Médio como no caso nuclear, repercutirá no final de forma negativa contra o país.

- As autoridades iranianas pensavam que Israel nunca se atreveria a atacar o Hezbollah após a derrota deste grupo em 2000, quando Israel se retirou do sul do Líbano, após 22 anos de ocupação - disse um professor de Ciências Políticas da Universidade de Teerã que pediu o anonimato.

Para ele, "antes de maio de 2000, o Hezbollah era reconhecido como um grupo de resistência legal contra a ocupação israelense, mas agora os EUA apóiam Israel enquanto o Hezbollah já não é reconhecido como uma resistência".

- Tudo parece indicar que Teerã, estando ou não relacionado com a atual crise, vai sofrer as conseqüências, e que o desarmamento do Hezbollah é inevitável - concluiu.

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