O Irã pediu na segunda-feira que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, não repita as acusações feitas pelo governo Bush contra a República Islâmica.
Washington acusa Teerã de tentar desenvolver armas nucleares, e o governo Bush lidera os esforços internacionais para isolar o país, que nega as acusações, alegando que seu programa atômico está voltado para a geração de eletricidade com fins civis.
Um porta-voz da chancelaria disse que o Irã vai responder de forma "apropriada e rápida" a uma eventual mudança de comportamento do governo Obama em relação a Teerã.
Os dois países romperam relações há três décadas, e Teerã reagiu com cautela à vitória eleitoral de Obama, em novembro, argumentando que preferia esperar mudanças concretas no comportamento norte-americano.
Obama, que toma posse no dia 20, disse na semana passada que considera o Irã "uma ameaça genuína", mas que ainda é favorável ao diálogo bilateral. No domingo, ele declarou que buscaria uma nova estratégia, que enfatize o respeito pelo povo iraniano e que deixe claro aos líderes do país o que os EUA esperam deles.
- Temos de ver se esta mudança de orientação se dá na prática, e se ela trará uma mudança fundamental no comportamento e na posição da América em relação ao Irã - disse a jornalistas Hassan Qashqavi, porta-voz da chancelaria.
Ele alertou que Obama não deve "repetir declarações e posições passadas cuja falsidade já foi demonstrada pelo Irã".
- Este é um ponto muito importante, e indubitavelmente o Irã tomará uma medida apropriada e rápida, proporcional ao novo comportamento e ação dos EUA - acrescentou.
O presidente eleito dos EUA afirmou no domingo estar preocupado com o apoio da República Islâmica ao movimento xiita libanês Hezbollah e com o programa iraniano de enriquecimento de urânio, que segundo ele pode provocar uma corrida armamentista no Oriente Médio.
Washington também acusa o Irã de apoiar militantes no Iraque, algo que Teerã igualmente nega.
Recuando da política do atual governo, Obama promete buscar um maior envolvimento com o Irã, inclusive com incentivos econômicos em troca da suspensão do enriquecimento - mas com sanções mais duras no caso da sua manutenção.