O Irã não vai desistir de retomar suas atividades nucleares, mas pode esperar algumas semanas para fazê-lo se as negociações com os europeus transcorrerem bem, disse o negociador-chefe Hassan Rohani na quarta-feira.
A decisão pode adiar a crise com a União Européia e com os Estados Unidos até depois das eleições presidenciais de 17 de junho, embora Rohani negue que haja ligação entre os dois fatos.
Em entrevista à Reuters, Rohani repetiu várias vezes que o Irã não vai mudar de idéia e desistir de ativar a usina da cidade de Isfahan, que transforma urânio bruto num gás que pode ser usado para alimentar usinas nucleares ou em bombas atômicas.
Ele acrescentou, no entanto, que a medida não levará automaticamente ao estágio seguinte e mais preocupante do processo, o enriquecimento de urânio.
"A decisão pela retomada das atividades em Isfahan foi tomada e é irreversível", disse Rohani.
Segundo ele, a única abertura para discussão com os ministros das Relações Exteriores de Grã-Bretanha, França e Alemanha nas negociações que acontecem em Paris no dia 23 de maio é o cronograma da retomada e as condições em que ela ocorrerá, o que inclui a determinação de inspeções internacionais.
"Não há outras questões negociáveis," disse Rohani. Embora o Irã esteja disposto a ser flexível quanto ao cronograma, o adiamento não será por muito tempo.
"Se acharmos que os europeus estão determinados a cumprir os acordos, e acharmos que eles não querem perder tempo, não teremos problemas em adiar a retomada das atividades em Isfahan em algumas semanas."
Os três países europeus advertiram o Irã na semana passada de que romperão as negociações e se aliarão aos EUA, que querem submeter o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), se Teerã suspender o congelamento das atividades atômicas.
O Irã suspendeu as atividades temporariamente em novembro, para que fossem realizadas as negociações com os europeus.
Os iranianos insistem que o programa nuclear tem o único objetivo de gerar eletricidade, mas Washington os acusa de usá-lo como fachada para desenvolver armas nucleares.
A diretoria da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU vai começar a discutir seu último relatório sobre o Irã no dia 13 de junho, quatro dias antes da eleição presidencial iraniana.
O favorito é o ex-presidente Ali Akbar Rasfanjani, tido no Ocidente como um pragmático que pretende aliviar as tensões com o mundo ocidental.
Se a suspensão das atividades for mantida até a eleição, o Irã conseguirá um relatório positivo da AIEA e minaria a tentativa dos EUA de levar o caso ao Conselho de Segurança, dizem diplomatas.
Os EUA teriam então que esperar pela próxima reunião da AIEA, em setembro, para tomar alguma atitude.