O Irã afirmou neste domingo que nunca aceitará uma suspensão permanente do seu programa de enriquecimento de urânio e destacou que se reserva o direito de interromper a qualquer momento suas negociações com a Europa.
Hamid Reza Asefi, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, voltou a lembrar a lei internacional que permite aos países manipular a energia nuclear para fins pacíficos.
"A suspensão permanente do enriquecimento de urânio não passa por nossa cabeça. Queremos destacar que a suspensão é por um período de curta duração", reiterou o porta-voz.
A interrupção do programa foi acordada em novembro depois de uma série de reuniões entre o Irã e uma equipe formada por representantes de França, Alemanha e Reino Unido.
O objetivo era evitar que a polêmica ultrapassasse o âmbito da Organização Internacional da Energia Atômica (AIEA) e chegasse ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que poderia aplicar sanções ao país.
Os EUA acusam o Irã de esconder um programa nuclear destinado à fabricação de armas.
Com a intenção de fortalecer o acordo alcançado com a União Européia (UE), o secretário-geral do Conselho Nacional de Segurança do Irã, Hassan Rowhani, viajou hoje para Bruxelas.
Antes de viajar, Rowhani disse que o Irã poderá romper as negociações se constatar que elas não estão indo pelo caminho certo.
Na primeira fase das negociações, concluída o novembro passado em Paris, ambas as partes acordaram manter a suspensão do enriquecimento de urânio em troca de fornecer ao Irã, através do comércio exterior, o combustível nuclear necessário para prosseguir com seu programa atômico com finalidades civis.
No entanto, ficou no papel a possibilidade de que a interrupção seja definitiva, como exigem os EUA, e o polêmico uso das centrífugas montadas neste ano, assuntos que Rowhani discutirá amanhã em Bruxelas com os ministros de Assuntos Exteriores de França, Alemanha e Reino Unido.