Rio de Janeiro, 23 de Março de 2026

Irã mantém resolução de desenvolver potencial nuclear

Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad disse, nesta segunda-feira, que o Ociente se engana se pensa que Teerã pretende ceder à pressão política para desistir dos seus planos nucleares, mesmo que isso acarrete sanções ao país. (Leia Mais)

Segunda, 23 de Outubro de 2006 às 10:13, por: CdB

Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad disse, nesta segunda-feira, que o Ociente se engana se pensa que Teerã pretende ceder à pressão política para desistir dos seus planos nucleares, mesmo que isso acarrete sanções ao país. França, Grã-Bretanha e Alemanha, com apoio dos Estados Unidos, estão preparando uma resolução do Conselho de Segurança para impor sanções ao Irã, em reação à recusa do país em suspender seu programa de enriquecimento de urânio, que o Ocidente suspeita ser parte do desenvolvimento de armas nucleares. Mas Teerã diz que o programa é pacífico e será levado adiante, apesar das ameaças.

- Eles deveriam saber que tirar vantagem da energia nuclear é a exigência de toda a nação iraniana. Toda a nação iraniana insiste nesse direito e não vai recuar um milímetro. Nosso líder (o aiatolá Ali Khamenei) está firme, e nossa nação está unificada e consolidada - disse o presidente na periferia sul da Grande Teerã, em discurso transmitido pela TV.

Ao contrário da Rússia e da China, potências nucleares que têm poder de veto na ONU, relutam em aceitar sanções ao Irã, país com os quais mantêm importantes relações comerciais. O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse na segunda-feira que por enquanto não há uma resolução apresentada ao Conselho de Segurança e que ainda é possível um acordo com Teerã para "abrir caminho a negociações". Em entrevista coletiva ao lado de Lavrov, a comissária (ministra) européia para relações exteriores, Benita Ferrero-Waldner, disse que o objetivo é impedir que o Irã se torne "um Estado com armas nucleares".

Uma importante autoridade iraniana disse que seu país não pode mais manter negociações nucleares com a UE se os europeus se baseiam em um resultado pré-concebido. Essa fonte defendeu que a Europa "pague" por ter abandonado seus compromissos com o Irã.

- Estamos comprometidos com todos os nossos acordos com (o chefe da diplomacia européia, Javier) Solana. Se o outro lado não está comprometido com esses acordos, deve pagar por isso - disse o negociador Ali Larijani à agência iraniana de notícias Irna, sem esclarecer que acordos são esses.

Larijani e Solana passaram meses discutindo uma forma pela qual o Irã suspenderia o enriquecimento de urânio em troca de negociar um pacote de incentivos da comunidade internacional. As reuniões foram abandonadas neste mês, sem conclusão, e Solana disse que cabe a Teerã decidir se o diálogo será ou não retomado.

Diplomatas europeus dizem que as sanções serão graduais, começando por restrições às atividades nucleares. Eles temem que um pacote excessivamente rígido de sanções acabe ampliando o apoio da população iraniana ao governo conservador de Ahmadinejad.

- (Uma resolução dura) viria a calhar nas mãos dos conservadores, porque eles terão a desculpa perfeita para eventuais fracassos econômicos - disse um diplomata europeu.

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