O Irã fechou pela segunda vez em menos de um ano o grande jornal moderado Shargh por ter publicado uma entrevista com uma militante homossexual, novo sinal de um recrudescimento das autoridades com a imprensa.
- A razão essencial para seu fechamento é uma entrevista com uma contra-revolucionária que tenta promover idéias imorais - explicou Alireza Malekian, diretor de publicações do Ministério iraniano da Cultura, citado pela agência oficial Irna.
Em sua edição de sábado, o Shargh (Leste) publicou, sob o título Linguagem feminista, uma entrevista de uma página com Saghi Ghahreman, uma poeta iraniana que vive no Canadá.
- Publicamos uma entrevista com uma escritora expatriada. Eles nos disseram que esta mulher tinha problemas de costumes, que ela era homossexual e dizia isso em seu blog. Mas a entrevistamos como poeta - declarou o diretor do jornal Mehdi Rahmanian.
Cabe agora à justiça decidir se o jornal deve ser fechado definitivamente, acrescentou Malekian. Ghahreman mantém um site chamado Cheragh (Lanterna) dedicado a lésbicas e gays.
O advogado do Sharg, Mahmud Alizadeh Tabatabai, considerou que o fato de se "entrevistar uma pessoa não pode ser motivo para fechar um jornal quando não há nada de mal".
O jornal conservador Kayhan se referiu nesta segunda-feira a Ghahreman, classificando-a de "contra-revolucionária foragida e que dirige a organização iraniana dos homossexuais".
O homossexualismo é proibido na República Islâmica, onde os homossexuais correm o risco de serem condenados à pena de morte.
O Shargh já teve sua circulação proibida por nove meses em maio por ter publicado uma caricatura considerada insultante pelo presidente Mahmud Ahmadinejad.
O jornal publicou nesta segunda-feira em sua primeira página um pedido de desculpas, afirmando ter entrevistado esta mulher ignorando suas escolhas pessoais.
O jornal prometeu que "evitaria no futuro este tipo de pessoas e seus movimentos".