O Irã voltou a advertir às potências ocidentais, nesta sexta-feira, que responderá "como um raio" a qualquer ataque contra seu território por meio de sua potência militar, na qual se destaca um míssil capaz de golpear Israel, durante um imponente desfile em Teerã.
- Queremos a paz, mas fazemos uma advertência: as potências expansionistas não devem pensar numa agressão contra o Irã, pois nossos leões são tão poderosos que podem golpear como um raio o inimigo e destrui-lo - declarou o vice-presidente Parviz Davudi.
No desfile anual, foram apresentados vários mísseis, entre os quais os Zelzal, Nazeat, Fajr e o famoso Shahab-3, de um alcance de 2 mil km, capaz de atingir Israel e as bases norte-americanas na região.
- Nossas forças armadas não necessitam de armas atômicas para mostrar sua potência que se funda em nossa fé - disse Davudi.
No alto da tribuna onde se encontravam os principais dirigentes do exército, estava estampada a mensagem: "Resistiremos até o fim".
O desfile homenageava o aniversário do início da guerra Irã-Iraque em 1980, que durou oito anos e deixou cerca de um milhão de mortos. Mas ao contrário de anos anteriores, as inscrições contra os EUA e Israel nos mísseis Shahab-3 desapareceram. Em 2005, os diplomatas europeus abandonaram o desfile para protestar contra as mensagens provocativas. Em relação à questão nuclear iraniana, Davudi criticou as grandes potências que "se atrevem a dizer que não têm confiança em nosso programa nuclear pacífico e falam de inquietações".
- Já dissemos que a arma atômica não tem lugar em nossa doutrina de defesa e nosso guia supremo (o aiatolá Ali Khamenei) declarou em várias ocasiões que a utilização da arma atômica é haram (proibido pelo Islã). A utilização da tecnologia nuclear com fins pacíficos é nosso direito absoluto conforme o Tratado de Não-Proliferação (TNP) e atuamos em conformidade com o TNP - disse.
O Irã rejeitou a resolução da ONU que exige uma suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio. Negociações vêm sendo travadas entre iranianos e europeus para tratar de encontrar uma solução aceitável para todos e evitar eventuais sanções contra o Irã. Em entrevista à edição desta semana da revista norte-americana Time, o presidente Mahmud Ahmadinejad assegurou que não teme um ataque norte-americano para destruir as instalações nucleares de seu país. Para Washington, o Irã dotado de arma atômica continua sendo uma perspectiva inaceitável e os Estados Unidos nunca excluíram a opção militar contra Teerã. Segundo a Time, se os Estados Unidos atacarem o Irã, os alvos seriam até 1.5 mil instalações nucleares e de mísseis iranianos.