O ministro das Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharrazi, disse sábado que a república islâmica está pronta para vender combustível nuclear a compradores estrangeiros. O país está sendo acusado por Washington de secretamente desenvolver armas nucleares.
O Irã nega as acusações norte-americanas de que esteja buscando armas nucleares e insiste que irá enriquecer urânio apenas até o nível necessário para abastecer centrais elétricas e não até o grau de pureza requerido para armas nucleares.
``A República Islãmica do Irã, como país com potencial para produzir combustível nuclear, está pronta para oferecer (esse) combustível aos mercados internacionais'', disse o ministro à agência oficial de notícias Irna no aeroporto de Teerã, depois de uma viagem à Itália e ao Vaticano.
No ano passado, Grã-Bretanha, França e Alemanha persuadiram o Irã a suspender o enriquecimento de urânio e aceitar inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês), agência observadora das Nações Unidas.
O Irã insiste que a suspensão de enriquecimento de urânio é um gesto temporário de boa vontade. Segundo diplomatas, a decisão iraniana de não suspender todas as atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio irritou França e Grã-Bretanha.
Esta semana Washington intensificou a pressão sobre Teerã depois que a IAEA descobriu projetos não declarados de centrífugas que podem ser usadas para a produção de material para bombas.
Os Estados Unidos deixaram claro na sexta-feira que dariam mais tempo ao Irã para apresentar seus programas nucleares antes de decidir se submeteriam a questão ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que pode impor sanções.
Diplomatas ocidentais em Viena disseram que os projetos mostram que Teerã não seguiu a demanda da IAEA de apresentar um relato completo e verdadeiro de todo seu programa nuclear.
Mas Kharrazi prometeu a cooperação iraniana com a agência das Nações Unidas. ``Os Estados Unidos estão seguindo sua própria agenda como fizeram antes e pretendem colocar a agência e seu conselho administrativo sob novas pressões'', afirmou.
O conselho da IAEA reúne-se novamente em 8 de março.