O governo iraniano intensificou ações contra o uso de roupas e cortes de cabelo ocidentais, considerados ilegais pelas autoridades, para tentar impor regras de vestimenta islâmicas. Policiais estão realizando operações nas principais ruas e parques de Teerã e prendendo mulheres que usam véus que não cobrem todo o cabelo, ou aquelas que usam casacos justos que mostram o contorno do corpo. Homens com cortes de cabelo elaborados também são alvos dos policiais.
Além disso, os presos são obrigados a identificar as lojas onde compraram as roupas ou os barbeiros em que tiveram seus cabelos cortados.
Segundo o correspondente em Teerã, Jon Leyne, um barbeiro já foi fechado por fazer cortes "inapropriados". De acordo com ele, certamente algumas lojas de roupas também serão punidas pelo governo.
Islamismo
Desde a revolução islâmica, em 1979, o código do país exige que as mulheres cubram os cabelos com véus e usem roupas que escondam os contornos do corpo. Porém, nos últimos anos, muitas iranianas passaram a usar véus com cada vez mais cabelos à mostra e a se vestir com roupas mais coloridas, casacos justos e calças que deixam os tornozelos à mostra.
Segundo o presidente do Irã, Ahmoud Ahmadinejad, a vestimenta é considerada "anti-islâmica".
O chefe da polícia em Teerã afirmou que é dever dos policiais prevenir esse comportamento para aumentar a segurança e garantir a ordem social.
Leyne afirma que, apesar da tentativa do governo de reforçar os padrões islâmicos, a repreensão parece não surtir efeito, principalmente no norte de Teerã, onde as mulheres mais jovens continuam a deixar os cabelos cada vez mais à mostra.
No ano passado, lojistas foram obrigados a cortar os seios das manequins expostas nas vitrines por serem muito “reveladores”. Também em 2007, vários outros estabelecimentos foram fechados por vender roupas consideradas muito "ocidentais".
Irã endurece na repressão a estilo de vida ocidental
Segunda, 16 de Junho de 2008 às 06:34, por: CdB