O Irã rompeu o cerco financeiro promovido pelos EUA e a União Européia, que decidiram interromper o auxílio humanitário destinado à Autoridade Palestina quando o movimento islâmico Hamas venceu as eleições, em janeiro deste ano. Nesta semana, o governo americano anunciou também que cidadãos americanos estão proibidos de fazer negócios com a Autoridade Palestina. O anúncio iraniano acontece pouco após uma visita de um dos líderes do Hamas, Khaled Meshaal, a Teerã, a capital iraniana.
Apelo
O Hamas havia feito um apelo a países islâmicos para que fizessem doações aos palestinos, a fim de dirimir a crise financeira enfretada pela Autoridade Palestina. Durante um evento para levantar recursos para os palestinos, em Teerã, Meshaal afirmou que a administração palestina enfrenta dívidas de US$ 1,7 bilhões. Ele disse ser necessários mais de US$ 170 milhões para administrar os territórios palestinos, já que US$ 115 milhões são destinados ao pagamento de salários.
A União Européia fornecia cerca de 500 milhões de euros anuais à Autoridade Palestina, mas anunciou na semana passada a suspensão do pagamento.
Pressões
O Hamas vem se recusando a ceder às pressões americanas e européias para reconhecer Israel e abdicar de atos de violência contra alvos israelenses. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse que o país está determinado a auxiliar os palestinos.
- Estou honrado em anunciar que o Irã doou US$ 50 milhões para auxiliar a nação palestina - afirmou Mottaki durante um discurso transmitido pela TV.
O ministro acrescentou que o corte de ajuda pode ocasionar um "desastre" nos territórios palestinos. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que cortar o auxílio aos palestinos é um erro. Lavrov afirmou que o Hamas deve reconhecer Israel e procurar negociar com o tradicional inimigo, mas acrescentou que os países ocidentais precisam trabalhar junto com o Hamas.