Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2026

Irã diz que morte de jornalista foi acidental

Quarta, 28 de Julho de 2004 às 07:19, por: CdB

O poder judiciário do Irã julgou que a morte da jornalista Zahra Kazemi, que reacendeu a discussão sobre direitos humanos com o Canadá, foi um acidente, informou a mídia local nesta quarta-feira.

Trechos da sentença judicial indicaram um veredicto de morte acidental no caso da fotojornalista iraniano-canadense Zahra Kazemi, que morreu de hemorragia cerebral enquanto estava sob custódia iraniana no ano passado. "A única alternativa para a morte de Kazemi é um acidente", disse a sentença, reproduzida no jornal Sharq e pela agência de notícias Isna.

No último sábado, o judiciário absolveu um agente do Ministério da Inteligência do Irã das acusações de "assassinato semi-intencional" e encerrou o caso contra ele. O fato causou protestos de grupos de direitos humanos e de advogados da família de Kazemi no Canadá.
"O nível de glicose no sangue de Zahra deve ter diminuído por causa de sua greve de fome. Ela então caiu e morreu", informou a sentença.

O governo reformista do Irã se ofereceu na última segunda-feira para ajudar o judiciário a encontrar o suposto assassino de Kazemi, mas o judiciário argumentou que a questão estava fora da jurisdição do governo.

O poder judiciário é acusado de encobrir evidências-chave que apontam para o envolvimento de oficiais da justiça na morte de Kazemi, jornalista de 54 anos baseada em Montreal, que foi presa enquanto tirava fotos na prisão de Evin, em Teerã.

Os rumos da investigação provocaram divergências entre o governo do presidente Mohammad Khatami e o judiciário. O governo iraniano acredita que mais alguém, além do agente do Ministério da Inteligência, deveria ter sido julgado.

O Canadá disse nesta terça-feira que pedirá à União Européia e às Nações Unidas que pressionem o Irã a continuar as investigações. Uma das advogadas de Kazemi, a iraniana Shirin Ebadi, vencedora do Prêmio Nobel da paz, ameaçou levar o caso às cortes internacionais.
"Vou levar esse caso adiante até meu último suspiro", disse Ebadi aos repórteres durante um protesto na última segunda-feira.

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