Em meio às dificuldades para encontrar os responsáveis pelos atentados que sacudiram Londres nos últimos meses, o governo britânico recebeu uma boa notícia nesta quinta-feira: o Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês) anunciou ter ordenado formalmente o fim de sua campanha armada contra o domínio da Grã-Bretanha na Irlanda do Norte, a partir das 16h horas (horário local) desta quinta-feira.
A informação foi veiculada pela rede SKY TV e a iniciativa é considerada crucial para a retomada de rodada de acordos políticos sobre a Irlanda do Norte. O grupo guerrilheiro disse que encerrará toda sua atividade e buscará seus objetivos através de ação política, disse a emissora, ao ler um comunicado do IRA.
- A direção do IRA ordenou formalmente o fim de sua campanha armada, que deve ser iniciado às 16h (12h de Brasília). Todas as unidades do IRA devem depor as armas. Os membros do grupo receberam instruções para ajudar no desenvolvimento de programas puramente políticos e democráticos, em termos pacíficos - diz o comunicado.
Apesar do anúncio, o grupo não vai se dissolver. Essa é uma das demandas dos unionistas protestantes, que defendem a continuidade da união da Irlanda do Norte com o Reino Unido, ao contrário do Sinn Fein, partido político que representa a minoria católica da Irlanda do Norte - e sustenta o IRA como seu braço armado - que quer que a região seja integrada à Irlanda, onde o catolicismo é predominante.
O primeiro britânico, Tony Blair, recebeu nesta quinta-feira com satisfação o anúncio do IRA que abandona a luta armada, um gesto que qualificou como "um passo de magnitude sem precedentes".
- Dou as boas-vindas à declaração do IRA que acaba sua campanha (armada), e à clareza" do texto - afirmou Blair em uma breve declaração feita em sua residência oficial.
O primeiro-ministro ressaltou que a iniciativa do Exército Republicano Irlandês (IRA) pode fazer possível que "a paz substitua a guerra" na Irlanda do Norte.