A Anistia Internacional afirmou na quarta-feira que a rejeição do Irã às recomendações de governos ocidentais a respeito de direitos humanos mostra um desprezo de Teerã por suas obrigações internacionais e pelo seu próprio povo.
Um relatório oficial da ONU divulgado na quarta-feira diz que o Irã rejeita os apelos pela libertação de todos os presos políticos e por um inquérito internacional sobre a violência registrada depois da polêmica eleição presidencial de junho.
De acordo com o relatório, a República Islâmica se recusa também a abolir a pena de morte e a criminalizar a prática da tortura.
– Ao rejeitar recomendações específicas feitas por dúzias de países, as autoridades iranianas demonstraram – disse Hassiba Hadj Sahraoui, subdiretora da Anistia para Oriente Médio e Norte da África.
– Ao prometer considerar as recomendações para eliminar a execução de menores infratores, as autoridades iranianas estão cinicamente camuflando suas obrigações, existentes sob a Convenção para os Direitos da Criança, de não executar menores infratores – disse.
Apesar de aceitar a recomendação da Holanda para "tomar medidas que assegurem que nenhuma tortura ou outro tratamento ou punição cruel, desumano ou degradante ocorra", o Irã rejeitou outra proposta, da Espanha, para assinar um pacto antitortura da ONU.
A Anistia disse que o grande número de contradições entre as 123 recomendações aceitas pelos iranianos e as 45 rejeitadas deixam dúvidas sobre a disposição do país em realmente implementar as medidas com as quais concordou.
– Para que os direitos humanos realmente melhorem no Irã, as autoridades devem acabar com o discurso duplo e tomar medidas concretas – disse Sahraoui.
Irã despreza seu povo e o resto do mundo, diz Anistia
Quinta, 18 de Fevereiro de 2010 às 08:14, por: CdB