Durante a conferência que acontece em Nova York para a revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, o Irã anunciou, nessa segunda-feira, que irá retomar o processamento de urânio.
A declaração foi do vice-diretor da Organização de Energia Atômica, Mohammad Saeedi e acrescentou ainda que o governo iraniano já havia convertido 37 toneladas de urânio em gás antes da suspensão passar a ter efeito.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse no primeiro dia da conferência que Estados não-nucleares - como o Irã - devem resistir à tentação nuclear, enquanto os Estados Unidos e a Rússia devem reduzir os seus arsenais.
A verdade é que o Tratato de Proliferação Nuclear praticamente está em estado de vegetação. O primeiro tratado, feito em 1970, previa que, em longo prazo, fosse feita a eliminação de todo o arsenal nuclear global, além de propor tolerância zero para novos Estados que tentassem desenvolver armas nucleares.
Nem uma coisa, nem outra foi feita. Os países que são oficialmente detentores de armas nucleares - Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha - não reduziram os seus estoques e há vários outros correndo atrás de alternativas nucleares, sempre sob suspeita de estarem desenvolvendo tecnologia para fins bélicos.
De acordo com o Tratado de Moscou, fechado em 2002, Washington e Moscou devem destruir entre 1.700 e 2.200 ogivas até 2012.
Enquanto esses países são cobrados pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica - órgão da ONU) e pela comunidade internacional, os norte-americanos e os europeus correm atrás do Irã e da Coréia do Norte.
O grupo de nações européias (UE) quer convencer o Irã a abandonar seu programa de enriquecimento e processamento de urânio. Em contrapartida, eles oferecem incentivos econômicos, políticos e tecnológicos ao Irã.