O impasse nuclear do Irã com as potências ocidentais é apenas uma propaganda psicológica, afirmou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na sexta-feira, considerando improvável o início de uma ação militar contra o seu país.
Em visita à Indonésia, um país também muçulmano, Ahmadinejad acusou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de ter dois pesos e duas medidas e de trabalhar sob a influência dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França.
- Todos os países possuem o direito de defender seus direitos, conforme estipula o direito internaciona. Mas acreditamos que essa hipótese (a da guerra) está longe de ser possível - respondeu Ahmadinejad ao ser questionado sobre se o Irã poderia ser atacado em virtude do seu programa nuclear.
- Tudo não passa de propaganda psicológica. Mas eles sabem que a República Islâmica do Irã é uma nação forte. Acho que eles não seriam loucos de iniciar uma guerra contra o Irã - acrescentou.
As especulações sobre uma eventual ação militar tornaram-se mais frequentes no mês passado, depois de o presidente dos EUA, George W. Bush, ter afirmado que "estão sobre a mesa todos os instrumentos" que forem necessários para impedir o Irã de adquirir a capacidade de fabricar armas nucleares.
O governo iraniano diz que deseja apenas produzir urânio pouco enriquecido a fim de ser usado em seus reatores atômicos e não o urânio altamente enriquecido necessário para fabricar bombas.
Os EUA e seus aliados europeus tentam fazer com que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma resolução obrigando o Irã a suspender seu programa de enriquecimento de urânio sob pena de o país sofrer eventuais sanções.
Em comentários feitos durante uma entrevista concedida ao canal indonésio SCTV, Ahmadinejad disse que seguiria qualquer decisão adotada pelo Conselho de Segurança desde que estivesse de acordo com as leis internacionais.
"Se a decisão deles não seguir as leis internacionais, então não vamos dar atenção a ela", afirmou, sem fornecer mais detalhes.
DISCURSO EM MESQUITA
O chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, elogiou na quinta-feira as manobras feitas para evitar as sanções da ONU contra o Irã neste momento e pediu que as partes envolvidas cedam. Ahmadinejad havia dito, no mesmo dia, estar pronto para o diálogo.
O Conselho de Segurança adiou a adoção de sanções enquanto os europeus elaboram um pacote de benefícios para convencer os iranianos a cooperar.
Na Indonésia, o dirigente do Irã disse que a AIEA estava sendo usada pelas grandes potências ocidentais.
- A AIEA agiu no contramão de sua missão original devido às pressões de países poderosos - disse Ahmadinejad a clérigos em Nahdlatul Ulama, a maior organização muçulmana da Indonésia (o país islâmico mais populoso do mundo).
O presidente iraniano deu início à visita na quarta-feira reunindo-se com o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono. Durante a viagem, Ahmadinejad recebeu boas-vindas acaloradas de várias pessoas, de autoridades a estudantes, que manifestaram apoio ao programa nuclear do Irã.
O presidente iraniano participou das orações de sexta-feira na mesquita Istiqlal, em Jacarta, onde fez um breve pronunciamento.
- Acredito que o Islã vencerá e que todos nós vamos vencer, com certeza - afirmou a 2.000 fiéis, alguns dos quais tentaram chegar perto de Ahmadinejad enquanto outros tiravam fotos dele com seus telefones celulares.
O presidente viajou para Bali ainda na sexta-feira a fim de participar de um encontro do grupo dos Oito em Desenvolvimento, que reúne, além do Irã, a Indonésia, a Nigéria, a Malásia, o Egito, a Turquia, o Paquistão e Bangladesh.