Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Irã comemora relatório que abriu nova crise no governo Bush

Enquanto no Irã o relatório da inteligência norte-americana que isenta o país da fabricação de armas nucleares foi motivo de comemoração, na terça-feira, uma nova crise se instala no governo Bush, que apostava na idéia de que a república islâmica teria um programa de desenvolvimento de armas nucleares. (Leia Mais)

Terça, 04 de Dezembro de 2007 às 09:21, por: CdB

Enquanto no Irã o relatório da inteligência norte-americana que isenta o país da fabricação de armas nucleares foi motivo de comemoração, na terça-feira, uma nova crise se instala no governo Bush, que apostava na idéia de que a república islâmica teria um programa de desenvolvimento de armas nucleares. Em Israel, a notícia foi recebida com ceticismo e, na Grã-Bretanha, surtiu efeito contrário. Levou o governo de Gordon Brown a pedir que o Ocidente elevasse o tom sobre o governo de Mahmoud Ahmadinejad. Observadores internacionais afirmaram, nesta quarta-feira, que o relatório é um ponto a mais de dificuldade na adoção de um novo pacote de sanções da ONU contra o Irã.

Em Teerã, autoridades governamentais elogiaram o relatório, divulgado nesta segunda-feira, tratando-o como prova definitiva daquilo que a República Islâmica repete há anos – que seu programa nuclear é pacífico, voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis.

– É natural que saudemos quando esses países que no passado tinham dúvidas e ambiguidades sobre este caso agora emendam realisticamente suas opiniões. A condição das atividades nucleares pacíficas do Irã está ficando clara para o mundo – disse o chanceler Manouchehr Mottaki a uma rádio local.

Mas a Grã-Bretanha, que costuma seguir a posição dos EUA nessa questão, disse que vai continuar pressionando por mais escrutínio internacional.

– Achamos que as conclusões do relatório justificam as ações já tomadas pela comunidade internacional tanto para mostrar a extensão e tentar restringir o programa nuclear do Irã quanto para aumentar a pressão sobre o regime para parar suas atividades de enriquecimento e reprocessamento (de urânio) – disse um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown.

Em Israel, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que a campanha internacional contra o programa nuclear iraniano deve ser mantida.

– É vital manter os esforços para evitar que o Irã desenvolva uma capacidade como esta (de ter armas), e vamos continuar fazendo assim junto com nossos amigos dos Estados Unidos – afirmou ele a jornalistas.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse à Rádio do Exército que, até onde Israel sabe, o Irã provavelmente retomou seu programa de armas depois de 2003. As potências mundiais se reuniram no sábado passado, em Paris, para discutir uma nova rodada de sanções contra o Irã devido à sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio, processo que pode gerar combustível para usinas nucleares ou, com grau maior de purificação, material para bombas nucleares.

A ONU já impôs dois pacotes de sanções contra o programa nuclear iraniano. Em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse que no novo relatório dos EUA corrobora as conclusões dos inspetores da agência nos últimos anos a respeito do Irã. A nova Estimativa Nacional de Inteligência norte-americana surpreendeu aliados e inimigos dos EUA ao dizer que o Irã suspendeu em 2003 seu programa de armas nucleares. Durante anos, Washington acusou Teerã, com retórica cada vez mais dura, de tentar desenvolver bombas atômicas.

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