Rio de Janeiro, 20 de Maio de 2026

Irã anuncia 26 prisões por crime eleitoral antes do 2° turno

Quinta, 23 de Junho de 2005 às 07:27, por: CdB

O Irã anunciou na quinta-feira, véspera do imprevisível segundo turno das eleições presidenciais, a prisão de 26 pessoas, inclusive um militar, por suspeita de crime eleitoral.

As detenções parecem dar credibilidade às acusações dos reformistas, que apontaram irregularidades no primeiro turno de 17 de junho. Eles vêem com desconfiança o crescimento, na reta final da campanha, do prefeito conservador de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad, que de forma surpreendente passou para o segundo turno.

Ahmadinejad, 48, um ex-oficial da Guarda Revolucionária que tem o apoio das camadas mais pobres e religiosas, enfrenta na sexta-feira o veterano clérigo e ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani. As duas candidaturas dividem o Irã em termos socioeconômicos.

Os seguidores de Rafsanjani, que já foi presidente entre 1989 e 97, consideram que a vitória de Ahmadinejad iria reverter as modestas reformas do atual presidente, Mohammad Khatami, e poderia levar o Irã ao isolamento internacional.

Citando uma nota do Ministério do Interior, a agência de notícias Irna disse que foram registrados 104 crimes eleitorais no primeiro turno, que levaram a 26 prisões. A maioria envolvia a distribuição de CDs e panfletos contra algum candidato.

Entre os detidos, segundo a Irna, está "uma proeminente figura militar" que "fez discursos contra um candidato e destruiu a imagem do sistema islâmico".

Os candidatos reformistas derrotados, que agora apóiam o moderado Rafsanjani, acusam a Guarda Revolucionária e a milícia Basij de apoiarem Ahmadinejad. As leis eleitorais proíbem que os militares façam proselitismo eleitoral. Ahmadinejad diz que essas acusações são difamações, próprias de uma campanha tão acirrada.

DE CONSERVADOR A LIBERAL

Apesar de ser um clérigo xiita e de ter sido um dos fundadores da República Islâmica, em 1979, Rafsanjani agora se apresenta como liberal. Ele prometeu ampliar as liberdades sociais e políticas, liberalizar a economia e melhorar as relações do Irã com o Ocidente.

Sua base de apoio está principalmente nas classes média e alta e entre os burocratas de primeiro escalão que temem as mudanças que Ahmadinejad pode fazer no país, que é o segundo maior produtor de petróleo da Opep.

Já os seguidores de Ahmadinejad são operários, agricultores e desempregados que admiram sua humildade e as promessas de distribuição mais justa dos enormes dividendos do petróleo.

- Ahmadinejad agrada à classe operária iraniana, que sente que a riqueza do petróleo a deixou para trás - disse o analista Karim Sadjapour, do International Crisis Group em Teerã - Os mais pobres contam com ele para cuidar deles.

As pesquisas, nunca muito confiáveis, mostram os dois candidatos cabeça-a-cabeça. Analistas dizem que o resultado é imprevisível.

A campanha terminou oficialmente às 9h (1h30 em Brasília) de quinta-feira, exatamente 24 horas antes da abertura das seções eleitorais. Há 47 milhões de iranianos maiores de 15 anos cadastrados para votar. Os resultados devem ser divulgados no sábado.

Na noite de quarta-feira, Ahmadinejad negou os rumores de que iria implantar uma rígida segregação entre homens e mulheres em lugares públicos e que obrigaria as mulheres a usarem o chador, vestimenta que cobre o corpo dos pés à cabeça -- atualmente, apenas o uso de um véu cobrindo os cabelos é obrigatório em locais públicos.

- Os verdadeiros problemas do país são o desemprego e a habitação, não o que vestir - disse ele à TV pública.

O candidato defendeu a adesão do Irã à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas salientou que a indústria nacional deve ser protegida.

- Precisamos de tempo e precisamos defender a nossa indústria.

Washington, que acusa o Irã de desenvolver armas nucleares e de apoiar o terrorismo, voltou na quarta-feira a criticar as eleições.

- Estamos com o povo iraniano, que quer mais liberdade - disse o porta-v

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