Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Irã ameaça retaliar Ocidente com redução na cota de petróleo

O Irã, premido pela discussão de seu programa nuclear pelo Conselho de Segurança da ONU, disse que poderá rever sua política de exportação de petróleo caso aumente a pressão mundial sobre sua pesquisa atômica. (Leia Mais)

Quarta, 08 de Março de 2006 às 07:02, por: CdB

O Irã, premido pela discussão de seu programa nuclear pelo Conselho de Segurança da ONU, disse que poderá rever sua política de exportação de petróleo caso aumente a pressão mundial sobre sua pesquisa atômica. Questionado se o país, quarto maior exportador de petróleo do mundo, usaria a "arma petrolífera", Javad Vaeedi, vice-secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, disse em Viena:

- Não faremos isso agora, mas se a situação mudar, teremos de rever nossa política petrolífera.

Os EUA afirmaram, em comunicado à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deve pedir ao Irã que suspenda logo suas pesquisas no setor nuclear sob pena de sofrer "consequências".

O comunicado, obtido afirma que "havia chegado a hora de o Conselho agir". O Irã está ignorando uma resolução, aprovada pela agência no mês passado, exigindo que suspenda todas as atividades relacionadas com o enriquecimento de urânio.

Nesta quarta-feira, o Irã disse que os EUA sentiriam "danos e dor" se o Conselho de Segurança tratar da crise. O governo iraniano prometeu dar prosseguimento a seu programa sob qualquer circunstância.

"Os EUA podem ter o poder para provocar danos e dor, mas também estão sujeitos a danos e dor. Então, se os EUA desejam escolher esse caminho, que assim seja", afirmou o Irã em um comunicado.

Um importante diplomata da União Européia (UE) disse que o Conselho de Segurança deve começar a debater a questão na próxima semana.

- Como primeiro passo, prevemos um pedido (do Conselho) para que o Irã coopere com a AIEA e adote as medidas relacionadas pelo quadro de diretores da agência, restabelecendo a confiança nele -  disse o comunicado entregue pelo embaixador norte-americano junto à AIEA, Gregory Schulte.

- O Conselho então terá capacidade de fornecer os poderes mais amplos de que a Agência necessita para investigar profundamente as preocupantes atividades nucleares do Irã -  disse Schulte.

Segundo o diplomata, a postura do Conselho de Segurança deve ser "avaliada" consultando-se todos os 15 países-membro do órgão, entre os quais a Rússia e a China, que possuem poder de veto e que se mostraram contrárias, até agora, à imposição de sanções contra o país islâmico.

- O Conselho deve sublinhar que o Irã enfrentará consequências se não cooperar -  disse Schulte.

O diplomata sugeriu que a AIEA estuda invocar cláusulas do seu acordo de salvaguardas nucleares com o Irã permitindo "inspeções especiais" a fim de facilitar o acesso a informações e a certas áreas. Esse acesso poderia jogar luz sobre os relatórios em torno de um elo militar nas pesquisas iranianas.

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