O Irã, premido pela discussão de seu programa nuclear pelo Conselho de Segurança da ONU, disse que poderá rever sua política de exportação de petróleo caso aumente a pressão mundial sobre sua pesquisa atômica. Questionado se o país, quarto maior exportador de petróleo do mundo, usaria a "arma petrolífera", Javad Vaeedi, vice-secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, disse em Viena:
- Não faremos isso agora, mas se a situação mudar, teremos de rever nossa política petrolífera.
Os EUA afirmaram, em comunicado à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deve pedir ao Irã que suspenda logo suas pesquisas no setor nuclear sob pena de sofrer "consequências".
O comunicado, obtido afirma que "havia chegado a hora de o Conselho agir". O Irã está ignorando uma resolução, aprovada pela agência no mês passado, exigindo que suspenda todas as atividades relacionadas com o enriquecimento de urânio.
Nesta quarta-feira, o Irã disse que os EUA sentiriam "danos e dor" se o Conselho de Segurança tratar da crise. O governo iraniano prometeu dar prosseguimento a seu programa sob qualquer circunstância.
"Os EUA podem ter o poder para provocar danos e dor, mas também estão sujeitos a danos e dor. Então, se os EUA desejam escolher esse caminho, que assim seja", afirmou o Irã em um comunicado.
Um importante diplomata da União Européia (UE) disse que o Conselho de Segurança deve começar a debater a questão na próxima semana.
- Como primeiro passo, prevemos um pedido (do Conselho) para que o Irã coopere com a AIEA e adote as medidas relacionadas pelo quadro de diretores da agência, restabelecendo a confiança nele - disse o comunicado entregue pelo embaixador norte-americano junto à AIEA, Gregory Schulte.
- O Conselho então terá capacidade de fornecer os poderes mais amplos de que a Agência necessita para investigar profundamente as preocupantes atividades nucleares do Irã - disse Schulte.
Segundo o diplomata, a postura do Conselho de Segurança deve ser "avaliada" consultando-se todos os 15 países-membro do órgão, entre os quais a Rússia e a China, que possuem poder de veto e que se mostraram contrárias, até agora, à imposição de sanções contra o país islâmico.
- O Conselho deve sublinhar que o Irã enfrentará consequências se não cooperar - disse Schulte.
O diplomata sugeriu que a AIEA estuda invocar cláusulas do seu acordo de salvaguardas nucleares com o Irã permitindo "inspeções especiais" a fim de facilitar o acesso a informações e a certas áreas. Esse acesso poderia jogar luz sobre os relatórios em torno de um elo militar nas pesquisas iranianas.