O Irã adiou, nesta quarta-feira, a reunião em que discutiria seu programa nuclear com a União Européia (UE), depois de ter ficado aparentemente insatisfeito com a visita de uma líder da oposição iraniana ao Parlamento Europeu. O encontro foi transferido para quinta-feira.
O chefe da área de política externa do bloco europeu, Javier Solana, que no mês passado apresentou à república islâmica um pacote de incentivos para convencer o Irã a abrir mão do enriquecimento de urânio, deu sinais de impaciência e surpresa após falar pelo telefone com um negociador iraniano.
- Fiquei surpreso ao ouvir que Ali Larijani (principal negociador do Irã para a área nuclear) havia decidido, de última hora, adiar sua viagem a Bruxelas e não realizar a reunião marcada para hoje - afirmou Solana em um comunicado.
- Deixei claro aos iranianos e ao dr. Larijani que desejamos avançar rapidamente na avaliação das idéias que lhes apresentei no começo do mês passado - disse a autoridade européia, que deve se reunir com o negociador, em Bruxelas, na quinta-feira, e novamente no dia 11 de julho.
As potências ocidentais querem uma resposta do Irã sobre o pacote de incentivos antes da cúpula de líderes do Grupo dos Oito (G8), que deve acontecer a partir do dia 15 de julho em São Petersburgo.
O Irã, acusado por autoridades ocidentais de tentar ganhar tempo e tentar dividir a comunidade internacional, disse que dará uma resposta sobre o pacote ocidental de incentivos até o dia 22 de agosto.
O chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, confirmou em Teerã que as negociações de quarta-feira haviam sido adiadas, mas não justificou a medida.
Um diplomata da EU disse que o Irã havia citado como motivo a visita, ao Parlamento Europeu, na quarta-feira, de uma líder do Conselho Nacional de Resistência do Irã, considerado pelo governo iraniano um grupo terrorista.
Visita de Rajavi
Rajavi, que mora na França e cuja organização é o braço político do grupo armado e ilegal Mujahideen do Povo, foi convidada ao Parlamento Europeu por um grupo de parlamentares que se autodenominam "Amigos de um Irã Livre".
A iraniana concedeu uma entrevista coletiva dentro do Parlamento, mas cancelou os planos de se reunir com grupos de parlamentares, em uma suposta tentativa de impedir as autoridades do Irã de terem uma desculpa para interromper as negociações sobre seu programa nuclear.
- Não quero dar pretextos a serem usados pelos mulás e gostaria de tornar possível as negociações. É por isso que pedi o cancelamento dos encontros - afirmou Rajavi.
O grupo da iraniana foi o primeiro a divulgar detalhes, em 2002, sobre o programa clandestino do Irã para o enriquecimento de urânio.
Os EUA acusam o Irã de manter um programa secreto com o intuito de fabricar armas nucleares. O país nega a acusação, afirmando que seu programa atômico visa apenas à produção de energia.