O Índice de Preços no Varejo (IPV) de dezembro subiu 1,69%, a maior variação registrada em 2004, informou hoje (5) a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Com isso, o índice fecha o ano com aumento de 11,62%. Apesar da aceleração no mês passado, o resultado de 2004 é inferior ao de 2003, quando alta foi de 12,6%.
As compras de Natal foram uma das principais responsáveis pela aceleração da inflação.
- O período de Natal, com vendas maiores do que em 2003, ajudou a acentuar esse efeito - argumentaram os assessores econômicos da instituição por meio de nota à imprensa. O grupo de produtos semiduráveis apresentou a maior elevação (3,65%), com destaque para o item vestuário (5,40%).
- Isto também pode ser em parte explicado pela sazonalidade, já que o Natal é um dos melhores momentos para o setor - disseram os analistas.
Com alta de 1,06% no mês passado, o grupo de não-duráveis foi puxado por produtos de limpeza (1,59%) e alimentícios (1,15%). De acordo com a Fecomercio, o item alimentos tem sido pressionado pela demanda externa, principalmente de farinhas e óleos. O grupo de produtos duráveis teve alta de 0,74%. A variação pequena se deve a eletrodomésticos, que apresentaram queda de 0,34%. Em comércio automotivo, a alta foi de 1,52%, dentro do esperado pelos economistas da instituição. Materiais de construção foi o único grupo que apresentou queda em dezembro. Para os analistas, o resultado é um ajuste, já que os preços haviam subido muito ao longo do ano: 19,84%. "Assim como em 2003, foi o grupo com a maior alta em função do repasse de custos por conta do aumento dos insumos", avaliaram os economistas da instituição.
O segundo grupo cujos preços mais subiram no ano foi o de comércio automotivo, com alta de 15,80%. O preço de autopeças que teve aumento de 41,99%, ajudou a puxar para cima o índice do grupo. Os veículos novos subiram 11% no período. Este dado pode ser explicado pelo aumento dos preços de vários componentes importantes para o setor, como aço, vidro e derivados de petróleo. "O setor também viveu um bom momento no segundo semestre, com demanda aquecida, o que pressionou os preços", afirmaram os analistas.
A inflação no varejo, no entanto, deve desacelerar neste primeiro trimestre. Os analistas atribuíram a elevação de preços do final do ano à injeção de dinheiro na economia com a entrada do 13.° salário, que aquece o consumo e propicia reajustes de preços.
- Isto se inverte no começo do ano, quando ocorrem as promoções no comércio e os consumidores têm de pagar dívidas. Além disso, há diversos impostos cobrados nesta época - observaram os técnicos.