O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) trabalha com uma projeção de inflação para este ano abaixo de 6%. A taxa é menor do que a projeção do mercado, divulgada esta semana pelo Boletim Focus do Banco Central, que aponta para uma inflação ao final do ano em torno de 6,54%, acima do limite superior da meta de 6,50% estabelecida pelo governo.
O centro da meta de inflação para este ano e para 2009 é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, disse que as projeções do mercado são importantes porque caracterizam uma parte da sociedade e como ela interpreta o momento inflacionário. Ressaltou, no entanto, que o segmento não representa o Brasil como um todo.
- Há outras visões, que certamente não são consideradas, mas representam os diferentes segmentos da sociedade brasileira - disse.
Pochmann também concorda que os sinais vindos do exterior indicam que os preços internacionais de commodities agrícolas e minerais já começam a se reduzir, “o que contribui para a queda da inflação interna”.
Ele disse que o risco de que houvesse contaminação dessa elevação de preços internacionais para os demais produtos acabou não ocorrendo no Brasil, o que, para ele, coloca em questionamento as medidas tomadas pelo governo diante de uma inflação tradicional, “como a elevação drástica dos juros”.
Pochmann advertiu que os efeitos dessa política de aumento dos juros não são imediatos e só costumam ser sentidos de seis a oito meses após a sua implementação.