Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

IPCA sujeito a revisão pelo IBGE é destaque na agenda

Segunda, 06 de Junho de 2005 às 07:02, por: CdB

Inflação é assunto dominante na agenda da semana em que também serão anunciados indicadores de atividade. Cinco índices de inflação serão divulgados, mas o IPCA é destaque absoluto. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA de maio nesta sexta-feira, e pode apresentar um novo dado para o IPCA de abril, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nos dias 14 e 15 de junho.

Bancos e consultorias contam com o declínio do IPCA - índice referência da política de metas de inflação do Banco Central - que avançou 0,87% em abril. Mas, apesar do consenso quanto à tendência de baixa, as projeções são dispersas. Estão variando de 0,3% a 0,6% para o IPCA de maio. Um erro metodológico que teria ajudado o IPCA a alcançar 0,87% em abril não deverá, na avaliação de economistas, resultar em redução (adicional) do índice em maio.

Em abril, confirmam dois economistas, o IPCA foi calculado levando em conta preços mais elevados de telefonia fixa em Porto Alegre e Goiânia devido à contabilização de aumentos de alíquotas de ICMS que foram anunciados mas não estavam em vigor.

- O IPCA foi rodado com dados equivocados de ICMS que, se não estivessem embutidos nos preços, teriam levado o índice de inflação de abril a um degrau mais baixo, a cerca de 0,75% - esclarece um dos economistas que preferiu não ser identificado.

IBGE explica ajuste

O IBGE informou por telefone, na sexta-feira à noite, que em Porto Alegre ocorreu efetivamente o aumento da alíquota do ICMS sobre a telefonia fixa de 25% para 30%. Em Goiânia, explica o IBGE, o aumento da alíquota do ICMS (de 26% para 29%) tinha ocorrido e foi incorporado ao IPCA de abril. Depois de fechado o IPCA de abril, houve uma decisão em Goiânia, de voltar-se atrás no aumento do ICMS.

O IBGE lembra que o IPCA-15 de maio não contabilizou esse aumento captado, anteriormente, pelo IPCA de abril e explica que a informação que dispõe no momento é de que o recuo na decisão de aumento do ICMS sobre telefonia fixa em Goiânia ainda não é definitivo. Portanto, o IBGE pretende adotar o seguinte procedimento: confirmar qual é a situação do ICMS em Goiânia no momento em que fechar o IPCA de maio e, se prevalecer o recuo na decisão do aumento da alíquota, o instituto vai reduzir o efeito (do acréscimo do ICMS) e revisar o IPCA de abril.

Ata do Copom foi destaque

Entre as justificativas do Copom para o aumento da Selic a 19,75% em maio destaca-se o surpreendente resultado do IPCA em abril.

A deterioração do cenário de inflação, afirma o Copom na ata da última reunião, "deveu-se à surpresa da inflação de abril, que mais do que compensou o efeito da valorização cambial. As projeções baseadas no cenário de mercado, que incorpora as trajetórias de câmbio e da taxa Selic esperadas pelo mercado no período imediatamente anterior à reunião do Copom, situam-se acima das projeções do cenário de referência, e também se elevaram em relação ao mês anterior (abril)".

A ata do Copom de maio pondera que, a exemplo do que ocorreu nas reuniões de março e abril, "o Comitê identificou a existência de fatores que aumentaram os riscos a que está submetido o processo de convergência da inflação para a trajetória de metas".

"Esses riscos estão associados à persistência de focos de pressão na inflação corrente, que contaminaram a inflação de abril, fizeram com que se deteriorassem as expectativas para 2005 e provocaram a permanência dos núcleos em níveis elevados."

Qualquer queda é "lucro"

O cálculo equivocado do IPCA - tema de discussão entre analistas do mercado financeiro - não compromete a expectativa de arrefecimento do índice.

- Qualquer coisa abaixo de 0,6% em maio e núcleos voltando ao patamar do primeiro trimestre serão relevantes para a expectativa com a nova Selic - afirma Alexandre Mathias, economista-chefe do Unibanco Asset Mana

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