IPCA sobe 1,32% em março e atinge nível mais alto em 12 anos
A inflação oficial brasileira acelerou a 1,32% em março, nível mais alto em 12 anos e maior taxa para o mês em duas décadas devido sobretudo à pressão dos preços da energia, ultrapassando em 12 meses a marca de 8%.
A inflação oficial brasileira acelerou a 1,32% em março, nível mais alto em 12 anos e maior taxa para o mês em duas décadas devido sobretudo à pressão dos preços da energia, ultrapassando em 12 meses a marca de 8%.
Em março, somente a energia elétrica representou 53,79% do IPCA do mês
Após avanço de 1,22% em fevereiro, a alta mensal do IPCA divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi a mais forte desde fevereiro de 2003, quando chegou a 1,57%.
Foi também a taxa mais elevada para o mês desde 1995, quando ela atingiu 1,55% no primeiro março do Plano Real.
Com isso, o IPCA acumulou alta de 8,13% em 12 meses até o mês passado, maior leitura desde dezembro de 2003, quando a variação chegou a 9,30%. Assim, o IPCA mantém-se bem acima do teto da meta do governo, de 4,5%, com margem de 2 percentuais para mais ou menos.
- Há neste momento uma pressão forte de tarifas, com impacto de alimentos. Ultrapassamos 8% e com realimento de tarifas e pressão de tarifas o IPCA em 12 meses mudou de patamar - destacou a economista do IBGE Eulina dos Santos.
Os resultados, entretanto, ficaram pouco abaixo das expectativas em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters, de alta de 1,39% na comparação mensal e de 8,20% em 12 meses.
Energia
Em março, somente a energia elétrica representou 53,79% do IPCA do mês, após aumento médio de 22,08% nos preços, representando impacto de 0,71 ponto percentual.
Os custos da energia vêm se destacando neste início de ano. Após o governo adotar o uso da bandeira tarifária, repassando ao consumidor os custos mais altos de geração por conta da falta de chuvas, em março entraram em vigor revisões tarifárias extraordinárias.
Segundo o IBGE, no início de março o reajuste do valor da bandeira tarifária foi de 83,33%, passando de R$3 para R$5,50.
Assim, o custo da energia acumula neste ano alta de 36,34%, sendo que em 12 meses as contas já estão 60,42% mais caras, de acordo com os dados do IBGE.
A alta dos custos da energia levou o grupo Habitação a registrar a maior variação em março, com avanço de 5,29% após 1,22% em fevereiro.
Com os reajustes de energia, os preços administrados são os principais pesos sobre a inflação neste ano, tendo subido 3,37% em março contra 2,37% em fevereiro, acumulando alta de 13,38% em 12 meses.
Já Alimentação e Bebidas acelerou a alta a 1,17% em março após 0,81% no mês anterior. Juntos, alimentos e habitação registraram impacto de 1,08 ponto percentual no IPCA do mês e representaram 81,82% do índice.
O dólar também é um fator de pressão sobre os preços. A moeda norte-americana subiu 11,7% em março e vem mantendo-se acima de R$3.
- Certamente o dólar está afetando também a inflação. Os insumos e matérias primas dolarizadas ou importadas estão mais caros e isso aparece de forma direta ou indireta no IPCA - completou Eulina, do IBGE.
Depois de avaliar que os preços deverão continuar elevados este ano, o Banco Central volta a se reunir no final deste mês para decidir sobre a Selic. As expectativas segundo a pesquisa Focus do próprio BC junto a economistas são de manutenção do ritmo de aperto monetário e nova alta de 0,50 ponto percentual, levando a taxa básica de juros a 13,25%.
Entretanto, a inflação em 12 meses não deve ir abaixo de 8% até o final do ano. Nas projeções do economista-chefe da Austin Ratinho Ale Agostinho, o nível mais baixo deve ser visto em junho, exatamente de 8%, com o IPCA fechando o ano a 8,20%.
Já no Focus, a projeção para o IPCA ao final deste ano é de alta de 8,20%, com avanço dos preços administrados de 13% e o dólar a R$3,25.
- A inflação vai continuar alta, mesmo num processo de desaclimarão da economia, o que é conflitante. Só haverá efeito sobre a inflação das medidas mais para a frente, talvez em 2016, porque aí sim todos os estores terão sido afectados negativamente e o consumo será reduzido. O processo de recuperação vai ser longo e lento - disse Agostinho.
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