Afetada pelas tarifas de energia elétrica e transportes, além de alimentos, a inflação oficial brasileira saltou mais de 1% em janeiro, no maior avanço em 12 anos, colocando pressão sobre o Banco Central na luta para conter a alta dos preços.
Afetada pelas tarifas de energia elétrica e transportes, além de alimentos, a inflação oficial brasileira saltou mais de 1% em janeiro, no maior avanço em 12 anos, colocando pressão sobre o Banco Central na luta para conter a alta dos preços.
Dentre o grupo Alimentação, destaque para as altas nos preços da batata-inglesa (38,09%), feijão-carioca (17,95%) e o tomate (12,35%)
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,24% no mês passado, contra alta de 0,78% em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
Trata-se do maior avanço desde fevereiro de 2003 (+1,57%), no início do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com isso, em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 7,14%o até janeiro, o maior desde setembro de 2011 (7,31%) e superando em muito o teto da meta do governo -- de 4,5%o, com margem de 2 percentuais para mais ou menos. Em 2014, o índice subiu 6,41%.
Os números vieram exatamente em linha ao previsto por analistas em pesquisa agência inglesa de notícias Reuters.
- Dessa vez a seca se disseminou, piorou a qualidade dos produtos e trouxe ainda aumento na taxa de água e de energia... itens muito importantes para o consumidor - disse a economista do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.
De acordo com o IBGE, os maiores pesos sobre a inflação oficial em janeiro vieram dos aumentos nos gastos com Alimentação e Bebidas (1,48%), Habitação (2,42%) e Transportes (1,83%) que, juntos, foram responsáveis por 85% do índice do mês (ou 1,06 ponto percentual).
Dentre o grupo Alimentação, destaque para as altas nos preços da batata-inglesa (38,09%), feijão-carioca (17,95%) e o tomate (12,35%).
Já os preços administrados, segundo o IBGE, subiram 2,50% em janeiro, com altas superiores a 8% em transporte (como trem e ônibus urbano) e energia elétrica residencial.
As tarifas de energia subiram muito após o governo iniciar o uso da bandeira tarifária, que repassa ao consumidor os custos maiores de geração diante da falta de chuvas.
E mais saltos devem ocorrer em fevereiro entre os preços administrados, com o aumento de tributos sobre a gasolina.
O próprio BC elevou sua estimativa da alta dos preços administrados em 2015 para 9,3% através da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e considerou que os avanços no combate à inflação não foram suficientes.
- A inflação em fevereiro deve ser um pouco mais baixa do que agora (janeiro), mas importante -afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem o IPCA em 12 meses não voltará a ficar abaixo do teto da meta em nenhum momento de 2015.
O BC iniciou processo de aperto monetário em outubro passado e já elevou a Selic a 12,25% ao ano. O mercado acredita que a taxa básica de juros voltará a subir na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mesmo com a atividade econômica fraca.
Pesquisa Focus do Banco Central aponta que os agentes econômicos preveem que o IPCA vai encerrar este ano em 7%.
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