A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou em janeiro, devido à queda dos preços de alimentos e vestuário. O IPCA subiu 0,41%, abaixo da alta de 0,59% apurada em janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Analistas previam em média leitura de 0,43 %.
A maior pressão do mês veio do reajuste sazonal de mensalidades, mas passado esse efeito, a taxa deve cair mais em março, acreditam analistas. As medidas de núcleo também desaceleraram em fevereiro. O núcleo por exclusão passou de alta de 0,86% em janeiro para 0,71%. O núcleo por médias aparadas com suavização passou de 0,61% para 0,49% e o sem suavização foi de 0,61% para 0,42%, segundo cálculos de economistas.
- A evolução dos núcleos foi favorável. O dado geral ficou em linha com as previsões recentes, mas se você pegar as previsões feitas no início do mês, elas recuaram, então o dado ficou abaixo das previsões iniciais - disse Adauto Lima, economista-chefe do WesTLB do Brasil.
Os preços do grupo Alimentação e bebidas caíram 0,28 % em fevereiro. O declínio deveu-se a quedas de produtos como cenoura, tomate, batata-inglesa, carne seca, feijão-preto e frango. Já os custos de açúcar refinado e açúcar cristal subiram cerca de 12% cada.
Os preços de Vestuário declinaram 1,11% devido a liquidações. A maior pressão positiva individual veio do item mensalidades escolares, de 0,21 ponto percentual e elevação de preços de 5,38%.
Outras pressões de alta vieram de ônibus urbanos, com avanço 1,25%. Os combustíveis continuaram aumentando, mas em ritmo menor. O álcool avançou 2,88% em fevereiro, ante alta de 9,87% em janeiro, enquanto a gasolina subiu 0,57%, abaixo do avanço de 1,19% anterior.
Mês sazonal
A taxa de fevereiro foi a menor desde dezembro e deve desacelerar mais um pouco neste mês, segundo analistas.
- Em março, provavelmente ela (inflação) fica abaixo desse patamar, porque sai educação. O álcool ainda pode ser um ponto de pressão, mas março é um mês sazonalmente de inflação baixa. Eu vejo algo em torno de 0,30 % para este mês - afirmou Jason Vieira, economista da GRC Visão.
Lima, do WestLB do Brasil, também vê para março uma inflação em torno de 0,30% e acredita que além dos combustíveis, uma maior pressão de alimentos também será vista no dado de março. O IBGE acrescentou que no ano até fevereiro, o IPCA está acumulado em 1,02% e nos últimos 12 meses, em 5,51%. O IPCA mede a variação dos preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e Goiânia.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede os preços para famílias com renda de até 8 salários, avançou 0,23 %, abaixo da inflação de 0,38 % em janeiro.