IPCA acumula alta de 6,41% em 2014, com alimentos e habitação
A inflação oficial brasileira encerrou 2014 em 6,41%, pressionada principalmente pelos preços de alimentos e habitação, muito próxima do teto da meta oficial, mantendo a pressão sobre o Banco Central para conter a alta dos preços no segundo mandato de Dilma Rousseff.
A inflação oficial brasileira encerrou 2014 em 6,41%, pressionada principalmente pelos preços de alimentos e habitação, muito próxima do teto da meta oficial, mantendo a pressão sobre o Banco Central para conter a alta dos preços no segundo mandato de Dilma Rousseff.
Segundo o IBGE, as despesas que mais aumentaram no ano passado foram as de Habitação, cuja alta acumulada chegou a 8,80% contra 3,40 %
Somente em dezembro, o IPCA avançou 0,78%, após alta de 0,51% em novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
Em 2013, o indicador havia subido 5,91%. No primeiro mandato da presidente, a inflação brasileira somou 27,03%, com alta anual média de 6,17%.
A meta oficial é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. O resultado do ano passado livrou por pouco, e mais uma vez, o presidente do BC, Alexandre Tombini, de ter que fazer uma carta aberta explicando os motivos do descumprimento do objetivo.
A última vez em que houve estouro da meta foi em 2003, primeiro ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o IPCA encerrou a 9,3%. Em 2011, ano em que Dilma assumiu o governo, o índice ficou exatamente no limite máximo do objetivo.
Os resultados ficaram em linha da expectativa em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters, cujas medianas apontavam alta de 0,78% em dezembro e de 6,42% no ano passado.
Energia elétrica
Segundo o IBGE, as despesas que mais aumentaram no ano passado foram as de Habitação, cuja alta acumulada chegou a 8,80% contra 3,40% em 2013. Com isso, o grupo teve impacto de 1,27 ponto percentual no índice de 2014, diante da alta de 17,06% em média da energia elétrica, contra queda de 15,66% em 2013.
Não por menos, informou o IBGE, no ano passado os preços de administrados tiveram alta acumulada de 5,32%, contra 1,55% em 2013.
O maior impacto no IPCA em 2014 foi do grupo Alimentação e Bebidas, com 1,97 ponto percentual, com alta acumulada de 8,03%, ante 8,48% no ano anterior.
Destacaram-se também os avanços de 8,45% dos preços de Educação e de 8,31% de Despesas Pessoais.
A alta dos preços de serviços também pesou sobre a inflação, apesar de ter moderado ligeiramente, fechando o ano a 8,32%, sobre 8,75% no ano anterior.
Já na variação mensal, o maior destaque do IPCA em dezembro ficou para Alimentação e Bebidas, com alta de 1,08%, após avanço de 0,77% em novembro.
Problemas
Os próximos meses serão marcados pelos reajustes de preços administrados, como eletricidade. Figura no horizonte ainda a valorização do dólar sobre o real, que atualmente ronda o patamar de R$2,7.
Tombini já sinalizou que o IPCA deve voltar a estourar o teto da meta em 12 meses neste início de ano, desacelerando o passo no segundo trimestre.
Em outubro, deu início a novo ciclo de aperto monetário que elevou a Selic para os atuais 11,75%, e novas altas são esperadas.
Ainda assim, economistas consultados na pesquisa Focus do próprio BC calculam que o IPCA encerrará 2015 acima do teto da meta, a 6,56%.
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