Em uma rodada de declarações, ao longo desta segunda-feira, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), integrantes do governo e de organismos internacionais de crédito foram unânimes em afirmar que o país segue uma rota de crescimento seguro e estável para os próximos meses.
Medidas nesse sentido foram anunciadas por mais de um interlocutor. A isenção de impostos para investimentos produtivos de estrangeiros no país, divulgada pelo secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, e a previsão do o Brasil atingir o Investment Grade (Grau de Investimento) em três anos, segundo o representante do Brasil no Banco Mundial (BIRD) foram algumas delas.
O Ministério da Fazenda está estudando uma proposta para isentar de alguns impostos o estrangeiro que investir no mercado de ações do Brasil. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, as medidas que vem sendo estudadas pelo ministério são a isenção de Imposto de renda e de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
A desoneração do investimento estrangeiro seria uma forma de alavancar o mercado financeiro do país, acredita Levy.
- O governo está sensível, está observando - disse.
Uma das propostas em estudo é a que foi apresentada ao governo federal no final do ano passado pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima). Um estudo da Andima mostra que a redução de tributos para os investidores estrangeiros pode ampliar o montante aplicado em renda fixa no Brasil dos atuais R$ 10 bilhões para R$ 30 bilhões.
O objetivo é incentivar a participação do investidor estrangeiro como forma de induzir o investidor local a alongar o prazo de suas aplicações financeiras e aceitar mais títulos pré-fixados, afirmou o presidente da Andima, Alfredo Moraes, quando do encaminhamento da proposta ao Tesouro Nacional.
Na avaliação de Joaquim Levy, os investidores brasileiros não se sentirão discriminados. "Isso é o que acontece em boa parte do mundo", afirmou, explicando, entretanto, que a proposta se encontra em análise e ainda não há uma palavra final. Pela proposta da Andima, o investidor estrangeiro continuará pagando a alíquota atual de 15% para investimentos com até um ano de duração. Essa alíquota poderá cair a até zero por cento para investimentos com prazos superiores a dois anos.
Mais investimentos
Para o representante do governo brasileiro junto ao BIRD, Otaviano Canuto, o Brasil pode alcançar o grau de investimento em mais dois a três anos.
- A reavaliação do risco de crédito do país vem como resultado natural da própria melhora da saúde da economia - disse.
Segundo Canuto, há a sociedade brasileira concorda sobre a necessidade de melhorar o ajuste fiscal a partir do comportamento da relação dívida/PIB e da mudança da composição da dívida. Ele acredita que as eleições deste ano não deverão espantar os investidores estrangeiros, em resposta a declarações do economista Carlos Geraldo Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV), que previu a fuga de capitais devido ao processo sucessório no país .
- Esse processo eleitoral deverá ser diferente de todos os anteriores, não há fragilidade de fundamentos que coloque em risco a conjuntura - respondeu.
Para Canuto, o Brasil está bem avaliado por investidores devido a sua evolução na área fiscal e na balança de pagamentos.
- Ao não ver sinalização de que a direção da gestão macroeconômica vai ser revertida, o investidor está se sentindo seguro - disse.
Para Canuto, há até quem já antecipe a compra de papéis brasileiros em razão da perspectiva de obtenção do grau de investimento.
Levy e Canuto participaram do seminário Cenários da Economia Brasileira e Mundial em 2006.