O deficit em conta corrente no mês de julho foi de US$ 1,665 bilhões e superou a projeção do Banco Central, de US$ 800 milhões para o mês. Nos sete meses do ano, o resultado negativo ficou em US$ 8,739 bilhões, contra US$ 19,039 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Em julho de 2008, o déficit foi de US$ 2,168 bilhões. Os dados da conta corrente, em que o país registra as compras e vendas de mercadorias e serviços com o exterior, foram divulgados nesta terça-feira, pelo Banco Central.
Um dos itens da conta corrente é a balança comercial, que registra exportações e importações. No mês passado, o superavit comercial chegou a US$ 2,927 bilhões e acumulou US$ 16,924 bilhões de janeiro a julho. No caso de serviços e rendas (remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros, viagens internacionais e outros), o resultado foi negativo em US$ 4,901 bilhões em julho e em US$ 27,547 bilhões nos sete meses do ano.
As transferências unilaterais correntes (registros de transferências de bens e serviços, doações recebidas ou enviadas sem contrapartida) somaram US$ 309 milhões no mês passado e US$ 1,884 bilhões de janeiro a julho. Além da conta corrente, os dados do balanço de pagamentos (as transações comerciais e financeiras do Brasil com o exterior) também registram a conta capital e financeira (empréstimos e investimentos). Quando o país tem deficit em conta corrente, precisa cobrir o resultado negativo com empréstimo ou receber investimentos do exterior.
Segundo o Banco Central, o investimento estrangeiro direto, que vai para o setor produtivo, somou US$ 1,287 bilhões em julho, valor abaixo do projetado pela instituição para o mês, de US$ 1,6 bilhões. Nos sete meses de 2009, esse investimento chegou a US$ 13,971 bilhões. A projeção do BC é chegar ao final do ano com esses investimentos totalizando US$ 25 bilhões.
Cartões de crédito
A base monetária de julho de 2008, ainda segundo o BC, foi afetada pela operação de abertura de capital da Visanet. A maior processadora de cartões de crédito do país levantou R$ 8,4 bilhões, com o maior lançamento inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) já feito no Brasil. No relatório, o BC divulgou ainda os números sobre os investimentos estrangeiros no mercado financeiro. As aplicações em ações negociadas no país ficaram positivas em US$ 6,7 bilhões em julho, com um saldo positivo acumulado, no ano, de US$ 9,783 bilhões. Em ambas as comparações, houve melhora em relação ao resultado de 2008.
O resultado da balança comercial soma os gastos do país com serviços, as remessas de lucros e as transferências unilaterais. A melhora em relação ao ano passado, segundo o BC, deve-se principalmente à queda nas remessas de lucros e dividendos para o exterior por causa da desaceleração da economia, que passou de US$ 23 bilhões em 2008 para US$ 13,2 bilhões até julho deste ano. Houve também a melhora no superávit da balança comercial, de US$ 14,6 bilhões para US$ 16,9 bilhões na mesma comparação.